UFRN/HUOL - Hospital Universitário Onofre Lopes - Natal (RN) — Prova 2023
Pré-escolar de 5 anos, masculino, foi atendida em Unidade Básica de Saúde, com quadro de fezes ressecadas, calibrosas, eliminadas com esforço, 1 a 2 evacuações por semana, há 1 ano e meio. Vem apresentando perdas fecais em pequena quantidade, involuntárias, nas vestes íntimas há 2 meses. Nega dor abdominal e tem medo de evacuar. Nos antecedentes gestacionais e pessoais patológicos, não há alterações. Nasceu em boas condições, e a eliminação de mecônio ocorreu em 18 horas de vida. Ao exame físico, está eutrófica, corada, ativa. Ausculta cardiopulmonar não apresenta alterações. Abdome está levemente distendido, com massa endurecidas em fossa ilíaca esquerda, depressível, indolor. Não há alterações em região glútea e perineal. O desenvolvimento neuropsicomotor está adequado. O quadro, apresentado pelo paciente, leva ao diagnóstico de
Criança + fezes ressecadas/calibrosas + evacuações infrequentes + encoprese + medo de evacuar → Constipação Funcional com Incontinência Fecal.
A constipação intestinal funcional em crianças é caracterizada por fezes ressecadas e infrequentes, frequentemente associada a dor ou medo de evacuar, e pode levar à encoprese (incontinência fecal) devido à impactação e extravasamento de fezes líquidas.
A constipação intestinal funcional é uma condição comum na infância, caracterizada por dificuldade ou infrequência na evacuação, fezes endurecidas e/ou volumosas, e frequentemente associada a dor ou medo de evacuar. É definida pelos critérios de Roma IV e afeta uma parcela significativa de crianças, impactando sua qualidade de vida e a de suas famílias. A etiologia é multifatorial, envolvendo fatores dietéticos, comportamentais e psicossociais. A encoprese, ou incontinência fecal funcional, é uma complicação comum da constipação crônica, onde fezes líquidas extravasam ao redor de uma massa fecal impactada no reto. O paciente apresenta perdas fecais involuntárias nas vestes íntimas, o que pode ser confundido com diarreia. A história clínica detalhada, incluindo o padrão de evacuação, consistência das fezes, presença de dor e medo de evacuar, é fundamental para o diagnóstico. O exame físico pode revelar uma massa fecal palpável no abdome. O manejo da constipação funcional com encoprese envolve a desimpactação fecal inicial, seguida por terapia de manutenção com laxantes osmóticos (como polietilenoglicol), modificações dietéticas (aumento de fibras e líquidos) e treinamento comportamental. É crucial educar a família e a criança sobre a condição e desmistificar a encoprese, que não é intencional. O prognóstico é bom com tratamento adequado e acompanhamento.
Os critérios incluem menos de 3 evacuações por semana, pelo menos um episódio de incontinência fecal/semana, história de retenção fecal, fezes volumosas, dor à evacuação, e massa fecal palpável no abdome ou reto.
A retenção crônica de fezes leva à dilatação do reto e cólon, diminuindo a sensibilidade e a capacidade de contração. Fezes líquidas podem então extravasar ao redor da massa fecal impactada, causando encoprese.
Na constipação funcional, o mecônio é geralmente eliminado no tempo normal e os sintomas começam mais tarde. Na Hirschsprung, há atraso na eliminação do mecônio (>48h) e os sintomas são de início precoce e mais graves.
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