INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2021
Um escolar de 7 anos de idade apresenta queixa de dificuldade para evacuar desde a retirada das fraldas aos 2 anos e meio. Apresenta evacuação a cada 4 ou 5 dias, com eliminação de fezes endurecidas, de grande calibre, com presença de dor e esforço evacuatório. Relata que, ao menos 3 vezes por semana, observa a presença de fezes perdidas na roupa. Por vezes, nota a presença de sangue em pequena quantidade no papel em que se higienizou. Nega antecedentes neonatais ou outras comorbidades relevantes; desmame aos 4 meses de idade; não faz uso de medicação de rotina. Alimenta-se quantitativamente bem com preferência pelo consumo de leite (4 porções diárias), carboidratos, carne e alimentos ultraprocessados; de forma bem infrequente, batata, cenoura, tomate, banana e maçã compõem a sua dieta. Está alfabetizado e é o melhor aluno de sua sala. Nesta consulta, seu peso encontra-se no Z score entre +2 e +3 da Curva de Índice de Massa Corpórea da OMS e sua altura encontra-se no Z score entre +1 e +2 da Curva de Altura para Idade da OMS. Ao exame abdominal, apresenta fezes endurecidas palpáveis em fossa ilíaca esquerda em moderada quantidade. O exame clínico não apresenta outras alterações. Considerando o caso descrito, assinale a alternativa que contém o diagnóstico mais provável e a conduta adequada.
Escolar com constipação crônica, encoprese, fezes grandes/duras, início pós-desfralde → Constipação funcional com impactação.
A constipação intestinal funcional é a causa mais comum de constipação crônica em crianças, frequentemente associada a encoprese e início após o desfralde. O diagnóstico é clínico pelos Critérios de Roma IV, e o tratamento inicial envolve desimpactação fecal, seguida por terapia de manutenção e mudanças no estilo de vida.
A constipação intestinal funcional é uma condição extremamente comum na pediatria, afetando uma parcela significativa de crianças e escolares. Caracteriza-se pela dificuldade persistente em evacuar, com fezes endurecidas, de grande calibre, dor e esforço evacuatório, frequentemente acompanhada de encoprese (incontinência fecal por transbordamento). O início dos sintomas muitas vezes coincide com eventos estressantes como o desfralde, a entrada na escola ou mudanças na dieta, o que reforça o componente funcional da condição. O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado nos Critérios de Roma IV, que consideram a frequência das evacuações, a consistência das fezes, a presença de dor, esforço e encoprese. É crucial diferenciar a constipação funcional de causas orgânicas, como a Doença de Hirschsprung, que geralmente se manifesta no período neonatal com ausência de eliminação de mecônio e ampola retal vazia, achados que não se encaixam no caso descrito. O tratamento da constipação funcional com impactação fecal inicia-se com a desimpactação, que pode ser realizada com altas doses de polietilenoglicol (PEG) por via oral ou, em casos selecionados, com enemas. Após a desimpactação, segue-se a fase de manutenção com laxativos osmóticos (como PEG em doses menores), associada a modificações dietéticas (aumento da ingestão de fibras e líquidos), reeducação intestinal (treinamento para evacuar em horários fixos) e suporte psicossocial. O manejo adequado e contínuo é fundamental para evitar recidivas e melhorar a qualidade de vida da criança e da família.
Os Critérios de Roma IV para constipação funcional pediátrica incluem dois ou mais dos seguintes por pelo menos um mês: duas ou menos evacuações por semana, pelo menos um episódio de incontinência fecal por semana, história de posturas retentivas, evacuações dolorosas/difíceis, fezes de grande diâmetro ou massa fecal grande no reto.
A desimpactação fecal é a primeira etapa do tratamento e pode ser realizada com altas doses de polietilenoglicol (PEG) por via oral, administradas por vários dias, ou com enemas em casos específicos. O objetivo é remover a massa fecal impactada para permitir o trânsito intestinal normal.
A dieta rica em fibras e líquidos é fundamental para a prevenção e manejo a longo prazo da constipação. O polietilenoglicol (PEG) é um laxativo osmótico seguro e eficaz, utilizado tanto na desimpactação quanto na terapia de manutenção, pois amolece as fezes e facilita a evacuação sem ser absorvido.
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