Impactação Fecal Infantil: Desimpactação na Constipação Funcional

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2022

Enunciado

Menino, 8 anos de idade, com história de perder fezes nas roupas há 1 ano. Evacua 2 vezes na semana, fezes que entopem o vaso sanitário. Ao exame físico, apresenta-se eutrófico, presença de massa abdominal palpável em hipogástrio e toque retal com grande quantidade de fezes endurecidas na ampola retal que se encontra ampla. A conduta inicial considerando o diagnóstico clínico é

Alternativas

  1. A) prescrever desimpactação, considerando o diagnóstico de impactação fecal secundária à constipação intestinal funcional.
  2. B) prescrever laxativo oral em dose de manutenção, considerando o diagnóstico de constipação intestinal funcional.
  3. C) solicitar ultrassonografia abdominal, considerando que a impactação fecal indica constipação intestinal orgânica.
  4. D) encaminhar para cirurgião pediátrico, considerando a gravidade do caso e provável diagnóstico de doença de Hirschsprung.

Pérola Clínica

Criança com encoprese e massa fecal palpável → Impactação fecal por constipação funcional → Iniciar desimpactação.

Resumo-Chave

O quadro clínico de encoprese, evacuações infrequentes, fezes volumosas e massa fecal palpável ao exame físico e toque retal é altamente sugestivo de impactação fecal secundária à constipação intestinal funcional, sendo a desimpactação a conduta inicial.

Contexto Educacional

A constipação intestinal funcional é um problema comum na pediatria, afetando uma parcela significativa das crianças. É caracterizada por evacuações infrequentes ou dolorosas, com fezes endurecidas, e pode levar à impactação fecal, que por sua vez causa encoprese (perda involuntária de fezes). A fisiopatologia envolve um ciclo vicioso de retenção fecal, dor ao evacuar e medo de defecar. O diagnóstico da constipação intestinal funcional é clínico, baseado nos critérios de Roma IV. O caso apresentado, com encoprese, fezes volumosas que entopem o vaso, massa abdominal palpável e ampola retal ampla e cheia de fezes, é clássico de impactação fecal secundária à constipação funcional. A doença de Hirschsprung, uma causa orgânica, geralmente se manifesta mais cedo e apresenta ampola retal vazia e hipertonia esfincteriana. A conduta inicial para a impactação fecal é a desimpactação, que visa remover as fezes acumuladas. Isso geralmente é feito com laxativos osmóticos como o polietilenoglicol (PEG) em doses elevadas, ou, em casos refratários, com enemas. Após a desimpactação, o tratamento de manutenção com laxativos e modificações dietéticas e comportamentais é essencial para prevenir novas impactações e resolver a constipação crônica.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de impactação fecal em crianças?

Sinais incluem encoprese (perda de fezes nas roupas), dor abdominal, evacuações infrequentes e volumosas, e massa fecal palpável no abdome ou ao toque retal.

Qual a conduta inicial para impactação fecal em crianças?

A conduta inicial é a desimpactação fecal, que pode ser realizada com laxativos orais em altas doses (como polietilenoglicol) ou, em casos mais graves, com enemas.

Como diferenciar constipação funcional de doença de Hirschsprung?

Na constipação funcional, o toque retal revela ampola retal ampla e cheia de fezes. Na doença de Hirschsprung, a ampola retal é geralmente vazia e o esfíncter anal interno é hipertonificado, com história de atraso na eliminação do mecônio.

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