Constipação Intestinal Funcional: Manejo Pediátrico Seguro

ENARE/ENAMED — Prova 2021

Enunciado

Considerando as medidas terapêuticas da constipação intestinal funcional, assinale a alternativa INCORRETA.

Alternativas

  1. A) Educação e orientação sobre a necessidade de atender o desejo de evacuar, evitando atitudes protelatórias, aproveitando o reflexo gastrocólico e tentando evacuar uma vez ao dia, após uma das refeições principais.
  2. B) Para a manutenção, quando indicada, deve ser utilizado um laxante por via oral, diariamente, na dose individualizada para obter regularização do hábito intestinal. Para lactentes, uma opção segura é o óleo mineral.
  3. C) Incontinência fecal por retenção, massa fecal palpável e reto preenchido com fezes são manifestações clínicas indicativas de impactação fecal. Nesses casos, o esvaziamento constitui a primeira e imprescindível etapa.
  4. D) A desimpactação pode ser realizada com enemas por via retal ou por via oral, e são necessários, em geral, 3 a 5 dias para se obter plena desimpactação.
  5. E) Em geral, os enemas são realizados com solução fosfatada a partir dos 2 anos de idade. Em lactentes, podem ser usados minienemas com sorbitol. No ambiente hospitalar, a solução de glicerina constitui uma alternativa para o enema fosfatado.

Pérola Clínica

Óleo mineral é CONTRAINDICADO em lactentes para constipação devido ao risco de aspiração e pneumonite lipoídica.

Resumo-Chave

O manejo da constipação intestinal funcional em crianças envolve educação, mudança de hábitos e, se necessário, laxantes. É crucial evitar o óleo mineral em lactentes devido ao alto risco de aspiração e suas graves complicações pulmonares, como a pneumonite lipoídica.

Contexto Educacional

A constipação intestinal funcional é uma condição comum na infância, caracterizada por dificuldade ou infrequência na evacuação, sem causa orgânica identificável. Seu manejo adequado é crucial para prevenir complicações como impactação fecal e encoprese. A abordagem terapêutica é multifacetada, envolvendo educação, modificações dietéticas e comportamentais, e, frequentemente, o uso de laxantes. O objetivo é restaurar um padrão de evacuação regular e indolor. A primeira etapa no tratamento da constipação crônica, especialmente na presença de impactação fecal, é a desimpactação. Esta pode ser realizada com enemas retais (solução fosfatada para >2 anos, sorbitol para lactentes, ou glicerina) ou laxantes orais em altas doses, como o polietilenoglicol (PEG). Após a desimpactação, a fase de manutenção é essencial e pode durar meses a anos. Laxantes osmóticos, como o PEG, são a escolha preferencial devido à sua segurança e eficácia a longo prazo, promovendo a hidratação das fezes e facilitando sua passagem. Um ponto crítico na prática pediátrica é a contraindicação do óleo mineral em lactentes. Embora seja um laxante eficaz em crianças maiores, seu uso em bebês apresenta um risco elevado de aspiração e subsequente pneumonite lipoídica, uma condição inflamatória pulmonar grave. Residentes devem estar cientes dessa contraindicação e optar por alternativas mais seguras, como o PEG, para evitar complicações iatrogênicas. A educação dos pais sobre a importância da adesão ao tratamento e a prevenção de atitudes protelatórias da criança é fundamental para o sucesso terapêutico.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais medidas não farmacológicas para a constipação intestinal funcional em crianças?

As medidas incluem educação sobre o hábito intestinal, incentivo a não reter fezes, uso do reflexo gastrocólico após refeições, aumento da ingestão de fibras e líquidos, e estabelecimento de uma rotina de evacuação regular para facilitar a passagem das fezes.

Qual o tratamento farmacológico de primeira linha para a constipação em crianças após a desimpactação?

Após a desimpactação, o tratamento de manutenção geralmente envolve laxantes osmóticos, como o polietilenoglicol (PEG), que é seguro e eficaz para uso a longo prazo, ajustando a dose para obter fezes macias e regulares sem causar desconforto.

Por que o óleo mineral é contraindicado em lactentes para constipação?

O óleo mineral é contraindicado em lactentes devido ao risco significativo de aspiração, especialmente em crianças com refluxo gastroesofágico ou distúrbios de deglutição. A aspiração pode levar a uma grave pneumonite lipoídica, uma condição inflamatória pulmonar crônica.

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