HPP - Hospital Infantil Pequeno Príncipe (PR) — Prova 2022
Sobre constipação intestinal funcional, assinale a INCORRETA:
Constipação funcional: Foco em fibra, fluidos, atividade física e laxantes orais. Lavagens semanais NÃO são tratamento de manutenção.
O tratamento da constipação intestinal funcional foca em medidas comportamentais e dietéticas, como aumento da ingestão de fibras e líquidos, e estímulo à atividade física. O uso de lavagens intestinais semanais não é uma estratégia de manutenção padrão e pode ser prejudicial, sendo reservado para situações específicas como fecaloma ou preparo intestinal.
A constipação intestinal funcional é um distúrbio gastrointestinal comum, caracterizado por evacuações infrequentes ou dificuldade na passagem das fezes, sem uma causa orgânica identificável. Afeta uma parcela significativa da população, com maior prevalência em mulheres e idosos. O diagnóstico é baseado nos critérios de Roma IV, que definem a constipação funcional pela presença de sintomas específicos por um período mínimo, após exclusão de causas secundárias. A fisiopatologia da constipação funcional é multifatorial, envolvendo alterações na motilidade colônica, disfunção do assoalho pélvico, e fatores dietéticos e comportamentais. O tratamento inicial e fundamental baseia-se em medidas promotoras da saúde: aumento da ingestão de fibras alimentares e fluidos, e estímulo à prática regular de atividade física. A educação do paciente sobre a importância de não adiar a evacuação e a adoção de uma rotina intestinal são essenciais para evitar o comportamento retentivo. Em casos de fecaloma ou impactação fecal, o esvaziamento do reto e do cólon é a primeira etapa imprescindível, utilizando enemas ou desimpactação manual. Para o tratamento de manutenção, o objetivo primordial é a prevenção da formação de fecaloma e a promoção de evacuações regulares e confortáveis, através das medidas dietéticas e comportamentais, e, se necessário, o uso de laxantes orais (osmóticos ou formadores de bolo fecal). Lavagens intestinais semanais não são a conduta de manutenção padrão e devem ser evitadas, pois não abordam a causa subjacente e podem levar à dependência.
Os critérios de Roma IV para constipação funcional incluem pelo menos dois dos seguintes sintomas por no mínimo 3 meses: esforço em >25% das evacuações, fezes endurecidas em >25%, sensação de evacuação incompleta em >25%, sensação de obstrução anorretal em >25%, manobras manuais para facilitar em >25%, e <3 evacuações espontâneas por semana, sem uso de laxantes.
A primeira linha de tratamento envolve medidas não farmacológicas: aumento da ingestão de fibras alimentares (25-30g/dia), hidratação adequada (2-3L/dia), prática regular de atividade física e educação sobre hábitos intestinais saudáveis, como não adiar a evacuação.
Laxantes devem ser considerados quando as medidas não farmacológicas são insuficientes. Os laxantes formadores de bolo fecal (psyllium, metilcelulose) são geralmente a primeira escolha, seguidos por laxantes osmóticos (polietilenoglicol, lactulose). Laxantes estimulantes (bisacodil, senna) devem ser usados com cautela devido ao risco de dependência e danos ao cólon.
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