Constipação Intestinal Funcional: Manejo e Erros Comuns

HPP - Hospital Infantil Pequeno Príncipe (PR) — Prova 2022

Enunciado

Sobre constipação intestinal funcional, assinale a INCORRETA:

Alternativas

  1. A) Quando houver fecaloma ou impactação fecal, o esvaziamento do reto e do colo constitui a primeira e imprescindível etapa.
  2. B) Educação e orientação sobre a constipação intestinal e seu tratamento a fim de evitar o comportamento retentivo são essenciais. 
  3. C) Medidas promotoras da saúde em geral: aumento na ingestão de fibra alimentar e fluidos, estimular a prática de atividade física. 
  4. D) Tratamento de manutenção com o objetivo primordial de prevenção da formação de fecaloma deve ser instituído com lavagens semanais.

Pérola Clínica

Constipação funcional: Foco em fibra, fluidos, atividade física e laxantes orais. Lavagens semanais NÃO são tratamento de manutenção.

Resumo-Chave

O tratamento da constipação intestinal funcional foca em medidas comportamentais e dietéticas, como aumento da ingestão de fibras e líquidos, e estímulo à atividade física. O uso de lavagens intestinais semanais não é uma estratégia de manutenção padrão e pode ser prejudicial, sendo reservado para situações específicas como fecaloma ou preparo intestinal.

Contexto Educacional

A constipação intestinal funcional é um distúrbio gastrointestinal comum, caracterizado por evacuações infrequentes ou dificuldade na passagem das fezes, sem uma causa orgânica identificável. Afeta uma parcela significativa da população, com maior prevalência em mulheres e idosos. O diagnóstico é baseado nos critérios de Roma IV, que definem a constipação funcional pela presença de sintomas específicos por um período mínimo, após exclusão de causas secundárias. A fisiopatologia da constipação funcional é multifatorial, envolvendo alterações na motilidade colônica, disfunção do assoalho pélvico, e fatores dietéticos e comportamentais. O tratamento inicial e fundamental baseia-se em medidas promotoras da saúde: aumento da ingestão de fibras alimentares e fluidos, e estímulo à prática regular de atividade física. A educação do paciente sobre a importância de não adiar a evacuação e a adoção de uma rotina intestinal são essenciais para evitar o comportamento retentivo. Em casos de fecaloma ou impactação fecal, o esvaziamento do reto e do cólon é a primeira etapa imprescindível, utilizando enemas ou desimpactação manual. Para o tratamento de manutenção, o objetivo primordial é a prevenção da formação de fecaloma e a promoção de evacuações regulares e confortáveis, através das medidas dietéticas e comportamentais, e, se necessário, o uso de laxantes orais (osmóticos ou formadores de bolo fecal). Lavagens intestinais semanais não são a conduta de manutenção padrão e devem ser evitadas, pois não abordam a causa subjacente e podem levar à dependência.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para constipação intestinal funcional?

Os critérios de Roma IV para constipação funcional incluem pelo menos dois dos seguintes sintomas por no mínimo 3 meses: esforço em >25% das evacuações, fezes endurecidas em >25%, sensação de evacuação incompleta em >25%, sensação de obstrução anorretal em >25%, manobras manuais para facilitar em >25%, e <3 evacuações espontâneas por semana, sem uso de laxantes.

Qual a primeira linha de tratamento para constipação funcional?

A primeira linha de tratamento envolve medidas não farmacológicas: aumento da ingestão de fibras alimentares (25-30g/dia), hidratação adequada (2-3L/dia), prática regular de atividade física e educação sobre hábitos intestinais saudáveis, como não adiar a evacuação.

Quando considerar o uso de laxantes na constipação funcional?

Laxantes devem ser considerados quando as medidas não farmacológicas são insuficientes. Os laxantes formadores de bolo fecal (psyllium, metilcelulose) são geralmente a primeira escolha, seguidos por laxantes osmóticos (polietilenoglicol, lactulose). Laxantes estimulantes (bisacodil, senna) devem ser usados com cautela devido ao risco de dependência e danos ao cólon.

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