MedEvo Simulado — Prova 2026
Uma criança de 4 anos de idade é levada ao pediatra pela mãe com queixa de dor abdominal recorrente e dificuldade para evacuar há cerca de três meses. A mãe relata que a filha apresenta fezes muito endurecidas, em formato de pequenas esferas, e que frequentemente chora de dor ao evacuar. Observa-se que a menina tenta "segurar" as fezes, ficando na ponta dos pés e contraindo os glúteos quando sente vontade de ir ao banheiro. Além disso, há relatos de escapes fecais involuntários na roupa íntima (soiling) cerca de duas vezes por semana. Ao exame físico, a criança apresenta bom estado geral, crescimento e desenvolvimento adequados para a idade, abdome levemente distendido com massa fecal palpável em flanco e fossa ilíaca esquerda. A região perianal não apresenta fissuras ou malformações, e o reflexo cremastérico e o tônus anal estão preservados. Com base no quadro clínico e nos critérios de Roma IV, a principal hipótese diagnóstica é:
Retenção fecal + soiling + massa em FIE → Constipação Funcional (Roma IV).
A constipação funcional é a causa mais comum de dificuldade evacuatória na infância, caracterizada por um ciclo de dor, retenção voluntária e escape fecal por transbordamento.
A constipação funcional representa cerca de 95% dos casos de constipação na infância. O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado nos Critérios de Roma IV, que valorizam a frequência evacuatória, episódios de incontinência e posturas de retenção. A fisiopatologia envolve um ciclo vicioso onde a evacuação dolorosa gera medo, levando a criança a contrair o esfíncter anal externo para evitar a dor, o que resulta em fezes maiores e mais endurecidas. O tratamento foca na desimpactação inicial (se necessário), seguida de manutenção com laxativos osmóticos (como o Polietilenoglicol) e reeducação de hábitos, como o treinamento de toalete após as refeições para aproveitar o reflexo gastrocólico. Exames de imagem raramente são necessários, a menos que haja dúvida diagnóstica ou suspeita de causas orgânicas.
Segundo os critérios de Roma IV, para crianças acima de 4 anos, o diagnóstico requer pelo menos dois critérios por pelo menos um mês, incluindo: duas ou menos evacuações por semana, pelo menos um episódio de incontinência fecal semanal, comportamento de retenção excessiva, evacuações dolorosas ou endurecidas, presença de grande massa fecal no reto ou fezes de grande calibre que obstruem o vaso sanitário.
O soiling é o escape fecal involuntário. Ele ocorre na constipação crônica quando o reto fica distendido por uma massa fecal endurecida (fecaloma); fezes mais líquidas do cólon proximal passam ao redor dessa massa e escapam pelo esfíncter anal, que perde sua sensibilidade e tônus devido à distensão crônica. Não deve ser confundido com diarreia.
Sinais de alerta para causas orgânicas incluem: atraso na eliminação de mecônio (>48h), início da constipação no período neonatal, fezes em fita, vômitos biliosos, distensão abdominal grave, falha no crescimento (baixo peso/estatura), anormalidades na região perianal ou ausência de fezes na ampola retal ao toque, seguida de saída explosiva.
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