SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2022
Uma paciente de 4 anos de idade foi levada pela mãe ao pronto atendimento e relatou que a filha refere intensa dor abdominal e está há sete dias sem evacuar. A filha começou a demonstrar dificuldades para evacuar logo que iniciou a introdução alimentar e, desde então, apresenta fezes em “bolinhas”. Em relação à dieta, disse que a menina come frutas, porém em pouca variedade, gosta muito de banana e de maçã, não gosta de verduras e ingere pouca quantidade de água. Ao exame físico, verificaram-se FC = 100 bpm, FR = 22 irpm, SatO2 = 98% em AA, bem como abdome globoso com ruídos hidroaéreos positivos, dor difusa à palpação e, em quadrante inferior esquerdo, palpa-se massa (sugestivo de fezes). Considerando esse caso clínico e com base nos conhecimentos médicos correlatos, julgue o item a seguir.Na investigação de constipação, é importante solicitar exames como TSH e T4 livre, a fim de descartar hipotireoidismo, que tem, entre as suas manifestações, a constipação.
Constipação funcional (95% dos casos) → Diagnóstico clínico. TSH/T4 apenas se sinais de alerta ou falha terapêutica.
A maioria das constipações na infância é funcional e ligada a hábitos dietéticos. A investigação laboratorial de rotina é desnecessária na ausência de sinais de alerta (red flags).
A constipação intestinal é uma queixa frequente em pediatria, sendo funcional em mais de 95% dos casos. O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado nos Critérios de Roma IV, que consideram a frequência evacuatória, consistência das fezes, comportamento de retenção e presença de massas fecais ao exame físico. No caso apresentado, a história de início na introdução alimentar e a dieta pobre em fibras e água reforçam a etiologia funcional. Diretrizes internacionais (NASPGHAN/ESPGHAN) recomendam contra a realização rotineira de exames laboratoriais, como TSH, T4 livre, cálcio ou chumbo, em crianças com constipação funcional sem sinais de alerta. A investigação laboratorial deve ser reservada para casos refratários ao tratamento convencional bem conduzido ou quando há suspeita clínica real de patologia endócrina, metabólica ou neurológica subjacente.
Os sinais que sugerem causas orgânicas incluem: atraso na eliminação de mecônio (>48h), falha de crescimento (baixo peso/estatura), distensão abdominal acentuada, vômitos biliosos, fístulas ou anomalias anorretais, ausência de reflexo cremastérico e alterações neurológicas em membros inferiores.
O hipotireoidismo deve ser considerado quando a constipação vem acompanhada de outros sinais sistêmicos, como desaceleração do crescimento linear, letargia, pele seca, intolerância ao frio ou bradicardia. Em crianças com desenvolvimento pôndero-estatural normal e história de erro alimentar, a probabilidade de hipotireoidismo ser a causa isolada da constipação é mínima.
O tratamento envolve três pilares: 1) Desimpactação fecal (geralmente com doses elevadas de Polietilenoglicol ou enemas); 2) Terapia de manutenção com laxantes osmóticos para garantir evacuações indolores; 3) Modificações dietéticas (aumento de fibras e água) e treinamento de toalete (sentar após as refeições).
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