Constipação Funcional Infantil: Diagnóstico e Sinais Chave

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021

Enunciado

Paciente, sexo feminino, 5 anos de idade, apresenta história de constipação intestinal desde 2 anos de idade. No início evacuava a cada 3 dias, mas este intervalo foi aumentando, atualmente evacua a cada 15 dias, fezes calibrosas, dolorosas, às vezes com estrias de sangue. Nega febre e perda de peso. Apresenta escape fecal diário, há 6 meses. Ao exame físico: peso e estatura no percentil 25. Não apresenta distensão abdominal importante, mas palpa se uma massa em hipogástrio, móvel, chegando a 3 cm abaixo da cicatriz umbilical, não dolorosa. A inspeção do ânus, observou-se pequena fissura anal a 6 horas. Qual sua hipótese diagnóstica?

Alternativas

  1. A) Constipação intestinal crônica funcional.
  2. B) Constipação orgânica secundária a tumor de cólon.
  3. C) Constipação intestinal crônica não retentiva.
  4. D) Pseudo obstrução intestinal crônica.

Pérola Clínica

Constipação funcional infantil: início > 6 meses, fezes calibrosas/dolorosas, escape fecal, massa palpável, sem sinais de alarme.

Resumo-Chave

A constipação intestinal crônica funcional em crianças é caracterizada por retenção fecal, evacuações dolorosas e infrequentes, e frequentemente encoprese. A ausência de sinais de alarme (febre, perda de peso, início neonatal) e a presença de massa fecal palpável e fissura anal são típicas do quadro funcional.

Contexto Educacional

A constipação intestinal crônica funcional é uma das queixas gastrointestinais mais comuns na pediatria, afetando uma parcela significativa das crianças. É caracterizada pela dificuldade ou infrequência na evacuação, muitas vezes associada a fezes duras e dolorosas. O quadro clínico típico, como o apresentado na questão, inclui início após os 6 meses de idade, aumento progressivo do intervalo entre as evacuações, fezes de grande calibre, dor à defecação, e a presença de encoprese (escape fecal) que indica retenção crônica e impactação fecal. O diagnóstico é clínico, baseado nos Critérios de Roma IV, e a ausência de sinais de alarme é crucial para diferenciar a constipação funcional de causas orgânicas, que são raras, mas importantes de serem excluídas. A presença de uma massa palpável em hipogástrio e fissuras anais são achados comuns na constipação funcional, resultantes da retenção e da passagem de fezes endurecidas. O tratamento envolve uma abordagem multifacetada com desimpactação, manutenção com laxativos, modificações dietéticas e comportamentais, e acompanhamento prolongado. Para o residente, é fundamental reconhecer o padrão da constipação funcional para evitar investigações desnecessárias e iniciar o tratamento adequado precocemente. A educação dos pais e da criança sobre o ciclo vicioso da constipação e a importância da adesão ao tratamento são pilares para o sucesso terapêutico e a prevenção de complicações a longo prazo, como a dilatação do reto e a perda da sensibilidade retal.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para constipação funcional em crianças (Critérios de Roma IV)?

Os Critérios de Roma IV para constipação funcional em crianças incluem pelo menos dois dos seguintes por um mês: ≤ 2 evacuações/semana, ≥ 1 episódio de encoprese/semana, história de retenção fecal, evacuações dolorosas/duras, fezes de grande calibre, ou massa fecal palpável no reto.

Quais sinais de alarme sugerem uma causa orgânica para a constipação infantil?

Sinais de alarme incluem início da constipação nos primeiros dias de vida, eliminação tardia de mecônio (>48h), perda de peso, febre, vômitos biliosos, distensão abdominal grave, ausência de massa fecal palpável, ou anormalidades neurológicas/espinhais.

Como a fissura anal se relaciona com a constipação funcional em crianças?

A fissura anal é uma complicação comum da constipação funcional. A passagem de fezes calibrosas e duras pode causar trauma na mucosa anal, levando à dor e a um ciclo vicioso de retenção fecal para evitar a dor.

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