UEL - Hospital Universitário de Londrina (PR) — Prova 2020
Menino, 5 anos de idade, é levado à consulta médica, pois vem apresentando quadro de 2 evacuações por semana, tendo, pelo menos, 1 episódio de incontinência por semana, assumindo postura retentiva, com fezes que obstruem o vaso sanitário e, segundo a mãe, sem sangue ou muco nas fezes; criança com bom desempenho de peso e estatura para a idade; pouca aceitação de água ao longo do dia, porém com grande quantidade de fibra na dieta. Assinale a alternativa que apresenta, corretamente, o provável diagnóstico nesse caso.
Constipação crônica infantil + incontinência fecal + postura retentiva + fezes volumosas sem sinais de alarme → Constipação Funcional.
A constipação intestinal crônica funcional em crianças é caracterizada por evacuações infrequentes, fezes duras, dor à evacuação, postura retentiva e encoprese (incontinência fecal), na ausência de causas orgânicas. A história de bom desenvolvimento pondero-estatural e ausência de sangue/muco reforçam o diagnóstico funcional.
A constipação intestinal crônica funcional é uma das queixas gastrointestinais mais comuns na pediatria, afetando uma parcela significativa das crianças e causando grande impacto na qualidade de vida familiar. É definida pela presença de sintomas de constipação por pelo menos um mês, na ausência de uma causa orgânica subjacente. A etiologia é multifatorial, envolvendo fatores dietéticos, comportamentais e psicossociais. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios de Roma IV, que incluem evacuações infrequentes, fezes duras, dor à evacuação, história de retenção fecal, presença de massa fecal grande no reto e episódios de incontinência fecal (encoprese). A encoprese é um achado clássico da constipação funcional, ocorrendo quando as fezes retidas se acumulam e extravasam. Sinais de alarme, como atraso na eliminação do mecônio, baixo ganho de peso, distensão abdominal importante, vômitos biliares ou sangue nas fezes desde o início, sugerem causas orgânicas e devem ser investigados. O tratamento da constipação funcional é multifacetado e geralmente envolve três fases: desimpactação (se houver), manutenção com laxantes osmóticos (como o polietilenoglicol), e modificações comportamentais e dietéticas. Aumentar a ingestão de líquidos e fibras, além de estabelecer um "treinamento de toalete" regular, são componentes essenciais para o sucesso a longo prazo. A abordagem deve ser paciente e contínua, visando reeducar o intestino e a criança.
Os critérios incluem ≥2 dos seguintes por ≥1 mês: ≤2 evacuações/semana, ≥1 episódio de incontinência fecal/semana, história de retenção fecal, história de evacuações dolorosas/duras, presença de massa fecal grande no reto, fezes de grande diâmetro que obstruem o vaso sanitário.
Na Doença de Hirschsprung, geralmente há atraso na eliminação do mecônio, distensão abdominal, ausência de encoprese (o reto é vazio), e o paciente não costuma apresentar fezes de grande diâmetro. A biópsia retal é diagnóstica para Hirschsprung.
O tratamento envolve desimpactação fecal (se presente), uso de laxantes osmóticos (ex: polietilenoglicol), aumento da ingestão de líquidos e fibras, e treinamento de hábitos intestinais regulares.
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