Constipação por Opioides: Manejo Essencial em Paliativos

SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2019

Enunciado

Mulher negra, de 55 anos, procurou UBS para realizar preventivo e, após ações de detecção, foi diagnosticado câncer de colo uterino, sendo por isso encaminhada para unidade de referência, onde foi submetida à cirurgia e quimioterapia. Porém, devido à toxicidade do tratamento e à metástase cerebral, recebeu orientações para retornar à UBS. Nesse momento, a dor está controlada com uso de metadona 10mg, de 12 em 12 horas, e dipirona solução oral, 40 gotas, de 6 em 6 horas, mas a paciente apresenta constipação e náuseas. Em relação ao manejo dos sintomas apresentados, a conduta mais adequada consiste em:

Alternativas

  1. A) informar a paciente que a constipação causada pela opioide é transitória 
  2. B) aconselhar o uso de enema e substituir a metadona por tramadol
  3. C) diminuir a dose da metadona para aliviar a constipação
  4. D) iniciar osmótico, tais como laxativo ou óleo mineral

Pérola Clínica

Constipação por opioide é persistente → iniciar laxativo osmótico ou estimulante profilaticamente.

Resumo-Chave

A constipação induzida por opioides é um efeito adverso comum e persistente, que não melhora com o tempo e exige manejo ativo. Diferente de outros efeitos como náuseas, que podem ser transitórios, a constipação requer intervenção contínua, geralmente com laxativos osmóticos ou estimulantes.

Contexto Educacional

A paciente do caso clínico apresenta um cenário comum em Cuidados Paliativos, com dor oncológica controlada por opioides (metadona) mas com efeitos adversos importantes como constipação e náuseas. O manejo desses sintomas é crucial para a qualidade de vida. A constipação induzida por opioides é um dos efeitos adversos mais frequentes e persistentes, afetando significativamente o bem-estar do paciente. A fisiopatologia da constipação por opioides envolve a ligação dos opioides aos receptores μ no trato gastrointestinal, o que resulta em diminuição da motilidade, aumento da absorção de água e redução das secreções intestinais. Diferentemente de outros efeitos colaterais como náuseas e sedação, a tolerância à constipação não se desenvolve, tornando-a um problema crônico que exige intervenção contínua. A conduta mais adequada para a constipação induzida por opioides é a profilaxia e o tratamento com laxativos. Laxativos osmóticos (como lactulose, polietilenoglicol) e estimulantes (como bisacodil, sene) são as classes mais utilizadas, muitas vezes em combinação. A diminuição da dose do opioide ou sua substituição não são as primeiras opções, pois podem comprometer o controle da dor. O uso de enemas pode ser considerado em casos de impactação fecal, mas não é a conduta inicial para o manejo contínuo.

Perguntas Frequentes

Por que a constipação é um efeito adverso comum dos opioides?

Os opioides atuam nos receptores μ no trato gastrointestinal, diminuindo a motilidade intestinal, aumentando a absorção de água e o tônus do esfíncter anal. Isso resulta em fezes mais duras e dificuldade na evacuação.

Qual a conduta inicial para constipação induzida por opioides?

A conduta mais adequada é iniciar profilaticamente um laxativo, geralmente um osmótico (como lactulose ou polietilenoglicol) ou um estimulante (como bisacodil ou sene), pois a constipação por opioides é persistente e não se resolve espontaneamente.

A constipação por opioides melhora com o tempo de uso?

Não, ao contrário de outros efeitos adversos dos opioides, como náuseas e sedação, a constipação induzida por opioides não desenvolve tolerância e tende a persistir enquanto o opioide estiver sendo utilizado, exigindo manejo contínuo.

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