SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2023
Uma agente de saúde procura você trazendo a demanda de uma família. Ela relata que Dona Benzarina, de 102 anos, recebeu alta do hospital municipal “para morrer em casa, pois não tinham mais o que fazer por ela”. A equipe da UBS de referência não recebeu comunicação do Serviço Social do referido hospital. A família está muito angustiada, pois a paciente “está agonizando” e por isso solicita uma visita domiciliar. Dois dias após a primeira visita domiciliar à Dona Benzarina, você retorna para fazer uma reavaliação. Ela está consciente, aceita a oferta de dieta via oral e está sem dor, mas se queixa de distensão abdominal e de constipação desde a introdução da Morfina. O exame físico abdominal confirma a distensão do abdomen e não há fecaloma ao toque retal. Assinale a alternativa que corresponde à conduta inicial no manejo da constipação por opioide.
Constipação por opioide → Ingesta hídrica, fibra e mobilidade são a conduta inicial.
A constipação é um efeito adverso comum e debilitante do uso de opioides, especialmente em pacientes idosos e em cuidados paliativos. A conduta inicial deve focar em medidas não farmacológicas, como aumento da ingesta hídrica e de fibras, e estímulo à mobilidade, antes de iniciar laxativos.
A constipação é um sintoma prevalente e frequentemente subestimado em pacientes que utilizam opioides, especialmente em contextos de cuidados paliativos e em idosos. A morfina, um opioide potente, é conhecida por seus efeitos adversos gastrointestinais, sendo a constipação o mais comum e persistente. Este quadro pode causar grande desconforto, dor abdominal, distensão e impactar significativamente a qualidade de vida do paciente, exigindo uma abordagem proativa e individualizada. A fisiopatologia da constipação induzida por opioides envolve a ativação de receptores opioides no trato gastrointestinal, resultando em diminuição da motilidade propulsiva, aumento do tônus do esfíncter anal e maior absorção de água, tornando as fezes mais duras e difíceis de eliminar. O manejo inicial deve sempre priorizar medidas não farmacológicas, como a otimização da ingesta hídrica, o aumento da fibra na dieta (se tolerado) e o estímulo à mobilidade, mesmo que passiva, para promover o peristaltismo intestinal. Essas intervenções são cruciais antes de escalar para tratamentos farmacológicos. Para residentes, é fundamental reconhecer a constipação como um efeito colateral esperado dos opioides e abordá-la de forma sistemática. A falha em manejar adequadamente a constipação pode levar a complicações sérias, como fecaloma, obstrução intestinal e piora da dor. Após as medidas não farmacológicas, a introdução de laxativos (osmóticos como polietilenoglicol ou estimulantes como bisacodil) deve ser feita de forma escalonada, sempre reavaliando a resposta do paciente e ajustando a terapia conforme necessário para garantir o conforto e a dignidade do paciente em cuidados paliativos.
Os opioides agem nos receptores mu no trato gastrointestinal, diminuindo a motilidade intestinal, aumentando a absorção de água e reduzindo as secreções, o que leva ao endurecimento das fezes e dificuldade de evacuação.
A hidratação adequada amolece as fezes, facilitando sua passagem. A mobilidade, mesmo que mínima, estimula o peristaltismo intestinal, ajudando a prevenir e aliviar a constipação, sendo medidas de primeira linha.
Laxativos devem ser considerados se as medidas não farmacológicas (hidratação, fibras, mobilidade) não forem suficientes. Geralmente, inicia-se com laxativos osmóticos ou estimulantes, com o objetivo de manter a regularidade intestinal.
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