Constipação por Opioides: Manejo em Cuidados Paliativos

CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2021

Enunciado

Ricardo realizou uma visita domiciliar com o ACS e a enfermeira da equipe na residência da senhora K.O.S., 44 anos, acompanhada em serviço hospitalar devido à neoplasia invasiva de colo uterino. A paciente queixava-se de intensas dores abdominais e pélvicas, fazendo uso regular de opióides prescritos pelo ambulatório de terapia da dor. Considerando o quadro clínico apresentado,Ricardo deveria prescrever associadamente:

Alternativas

  1. A) Laxativos e dieta rica em fibras, para alívio da constipação.
  2. B) Anti-histamínicos orais, considerando o prurido como efeito colateral e melhorando o sono da paciente.
  3. C) Antieméticos para evitar vômitos.
  4. D) Antipsicóticos, para controle do delirium.

Pérola Clínica

Uso regular de opioides → constipação. Prescrever laxativos + fibras é essencial para manejo em cuidados paliativos.

Resumo-Chave

Em pacientes com dor oncológica em uso regular de opioides, a constipação é um efeito colateral quase universal e muito incômodo. A conduta correta é prescrever associadamente laxativos (estimulantes e/ou osmóticos) e orientar dieta rica em fibras para prevenir e tratar a constipação, melhorando significativamente a qualidade de vida do paciente.

Contexto Educacional

Pacientes com neoplasias avançadas frequentemente experimentam dor intensa, que exige o uso regular de opioides potentes. Embora eficazes no controle da dor, os opioides são conhecidos por uma série de efeitos colaterais, sendo a constipação induzida por opioides (CIO) um dos mais prevalentes e angustiantes. A CIO difere da constipação funcional, pois não desenvolve tolerância ao longo do tempo e afeta significativamente a qualidade de vida do paciente, tornando seu manejo uma prioridade nos cuidados paliativos. A fisiopatologia da CIO envolve a ligação dos opioides aos receptores μ-opioides no trato gastrointestinal, resultando em diminuição da motilidade intestinal, aumento da absorção de água e redução das secreções. Isso leva a fezes mais duras e dificuldade na propulsão do bolo fecal. O diagnóstico é clínico, baseado na história de uso de opioides e na alteração do padrão intestinal do paciente. O tratamento da CIO deve ser proativo e contínuo. A conduta padrão inclui a prescrição associada de laxativos, preferencialmente uma combinação de um agente estimulante (que aumenta a motilidade intestinal) e um agente osmótico (que retém água nas fezes, amolecendo-as). Além disso, a orientação para uma dieta rica em fibras e hidratação adequada é complementar, mas raramente suficiente como única medida. O manejo eficaz da CIO é crucial para o conforto do paciente, prevenindo complicações como impactação fecal e obstrução intestinal, e melhorando sua qualidade de vida durante o tratamento oncológico e nos cuidados paliativos.

Perguntas Frequentes

Por que a constipação é um efeito colateral comum do uso de opioides?

Os opioides atuam nos receptores μ-opioides presentes no trato gastrointestinal, diminuindo a motilidade intestinal, aumentando a absorção de água e inibindo a secreção de fluidos. Isso resulta em fezes mais duras e dificuldade na sua progressão, levando à constipação.

Qual a conduta inicial e mais importante para a constipação induzida por opioides em pacientes oncológicos?

A conduta inicial e essencial é a prescrição profilática e contínua de laxativos, geralmente uma combinação de um laxativo estimulante (como senna ou bisacodil) e um laxativo osmótico (como lactulose ou polietilenoglicol). A dieta rica em fibras e hidratação também são importantes, mas raramente suficientes sozinhas.

Quais são as complicações da constipação não tratada em pacientes em cuidados paliativos?

A constipação não tratada pode levar a dor abdominal intensa, náuseas, vômitos, distensão abdominal, impactação fecal, obstrução intestinal e até delirium. Essas complicações reduzem drasticamente a qualidade de vida do paciente e podem exigir intervenções mais invasivas.

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