UFU/HC - Hospital de Clínicas de Uberlândia (MG) — Prova 2015
Alex, 8 meses, vai ao ambulatório com queixa de apresentar fezes endurecidas, com esforço e desconforto evacuatório há dois meses. Nega qualquer outra alteração. Peso e altura entre o Z Score 0 e +1. Exame físico normal. Aleitamento humano exclusivo até 6 meses de vida. Atualmente em uso de leite humano e papas de legumes e carnes no almoço e jantar. Purê de frutas nos intervalos. Assinale a conduta CORRETA:
Constipação funcional em lactentes → ↑ oferta hídrica, fibras, óleo vegetal e laxantes osmóticos (se necessário).
A constipação funcional em lactentes, como no caso de Alex, é frequentemente manejada com medidas dietéticas e comportamentais. Aumentar a oferta hídrica, o teor de fibras e gorduras na dieta são as primeiras linhas de tratamento, antes de considerar laxantes estimulantes, que devem ser usados com cautela e em pequenas doses.
A constipação funcional pediátrica é uma queixa comum em ambulatórios, especialmente na transição alimentar ou no desmame. Caracteriza-se por fezes endurecidas, dor ou dificuldade para evacuar, sem uma causa orgânica subjacente. É crucial diferenciar da disquesia do lactente, onde há esforço, mas as fezes são moles. A prevalência é alta, afetando até 30% das crianças em algum momento da infância. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios de Roma IV, que consideram a frequência e consistência das fezes, dor ao evacuar e presença de escape fecal. A fisiopatologia envolve uma combinação de fatores dietéticos (baixa ingestão de fibras e líquidos), comportamentais (retenção fecal) e, por vezes, predisposição genética. É importante excluir causas secundárias, como hipotireoidismo ou doença de Hirschsprung, através de uma anamnese e exame físico detalhados. O tratamento da constipação funcional é multifacetado, iniciando com modificações dietéticas (aumento de fibras, líquidos e gorduras saudáveis) e comportamentais. Em casos refratários, laxantes osmóticos (como polietilenoglicol) são a primeira escolha, seguidos por laxantes estimulantes em doses baixas e por tempo limitado. A desimpactação fecal pode ser necessária em casos de fecaloma. A educação dos pais e o acompanhamento regular são fundamentais para o sucesso terapêutico.
Os sinais incluem fezes endurecidas, esforço evacuatório, dor ou desconforto ao evacuar, e frequência reduzida de evacuações, sem causa orgânica aparente.
A conduta inicial envolve aumentar a oferta hídrica, introduzir alimentos ricos em fibras (frutas, vegetais) e, se necessário, adicionar pequenas quantidades de óleo vegetal na dieta.
Laxantes, preferencialmente osmóticos, devem ser considerados após a falha das medidas dietéticas e comportamentais, sempre sob orientação médica e com doses ajustadas.
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