SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2022
Uma paciente de 4 anos de idade foi levada pela mãe ao pronto atendimento e relatou que a filha refere intensa dor abdominal e está há sete dias sem evacuar. A filha começou a demonstrar dificuldades para evacuar logo que iniciou a introdução alimentar e, desde então, apresenta fezes em “bolinhas”. Em relação à dieta, disse que a menina come frutas, porém em pouca variedade, gosta muito de banana e de maçã, não gosta de verduras e ingere pouca quantidade de água. Ao exame físico, verificaram-se FC = 100 bpm, FR = 22 irpm, SatO2 = 98% em AA, bem como abdome globoso com ruídos hidroaéreos positivos, dor difusa à palpação e, em quadrante inferior esquerdo, palpa-se massa (sugestivo de fezes). Considerando esse caso clínico e com base nos conhecimentos médicos correlatos, julgue o item a seguir.Sempre que uma criança relatar dor abdominal, é importante questionar a respeito dos hábitos intestinais, da consistência das fezes e do número de evacuações (dia/semana). A constipação funcional é um diagnóstico clínico feito de acordo com os critérios de Roma IV.
Constipação funcional pediátrica = Diagnóstico clínico pelos Critérios de Roma IV + anamnese detalhada de hábitos intestinais.
A constipação funcional é uma condição comum na infância, diagnosticada clinicamente pelos Critérios de Roma IV, que consideram a frequência e consistência das fezes, além de sintomas associados. Uma anamnese detalhada sobre hábitos intestinais e dieta é crucial para o diagnóstico e manejo.
A constipação funcional é uma das queixas gastrointestinais mais comuns na pediatria, afetando uma parcela significativa das crianças. É caracterizada pela dificuldade ou infrequência na evacuação de fezes, sem uma causa orgânica subjacente identificável. A condição frequentemente se inicia em períodos de transição, como a introdução alimentar, o desfralde ou o início da escola, quando mudanças na dieta e no ambiente podem influenciar os hábitos intestinais. A dor abdominal é um sintoma frequentemente associado, muitas vezes aliviada após a evacuação. O diagnóstico da constipação funcional é eminentemente clínico e baseia-se nos Critérios de Roma IV, que fornecem uma estrutura padronizada para identificar a condição. Esses critérios consideram a frequência das evacuações, a consistência das fezes (muitas vezes descritas como "bolinhas" ou "cabra"), a presença de dor durante a evacuação, histórico de retenção fecal e, em crianças maiores, a ocorrência de encoprese. Uma anamnese detalhada sobre os hábitos intestinais, a dieta (ingestão de fibras e líquidos) e o histórico familiar é fundamental. O tratamento da constipação funcional envolve uma abordagem multifacetada. Inicialmente, foca-se na desimpactação fecal, se presente, seguida por uma fase de manutenção que inclui modificações dietéticas (aumento de fibras e líquidos), treinamento de hábitos intestinais (sentar no vaso sanitário após as refeições) e, frequentemente, o uso de laxantes osmóticos (como polietilenoglicol) por um período prolongado. O objetivo é estabelecer um padrão de evacuação regular e indolor, prevenindo recidivas e melhorando a qualidade de vida da criança.
Os sintomas incluem evacuações infrequentes (menos de 3 por semana), fezes duras e grandes, dor ou dificuldade para evacuar, dor abdominal, encoprese e posturas retentivas.
Uma dieta pobre em fibras (poucas frutas, vegetais e grãos integrais) e baixa ingestão de líquidos são fatores de risco importantes para a constipação, pois dificultam a formação de fezes macias e a motilidade intestinal.
Os critérios incluem frequência de evacuações, consistência das fezes (escala de Bristol), histórico de retenção fecal, dor à evacuação, presença de massa fecal no reto e episódios de encoprese, por um período mínimo de tempo.
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