FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2023
Menina, 4 anos de idade, queixa-se de dor abdominal periumbelical com frequência nos últimos 2 meses. Evacua a cada 2 a 3 dias, fezes endurecidas, com esforço. A mãe percebe movimentos e posições e oferece a ida ao banheiro, mas a criança recusa. Tem alimentação monótona, recebe 750 mL de leite, alimentação geral sem folhas e frutas somente em suco. Ao exame, o abdome é flácido e palpa-se o colo à esquerda, não apresenta lesões perianais, não permitiu a realização de toque retal. O diagnóstico mais provável e a conduta mais indicada ao quadro são respectivamente:
Constipação funcional em crianças → Polietilenoglicol + orientação alimentar e comportamental.
A constipação funcional em crianças é comum e frequentemente associada a hábitos alimentares inadequados e comportamento de retenção. O tratamento envolve desimpactação (se presente), laxantes osmóticos como o PEG, e medidas dietéticas e comportamentais a longo prazo para reeducação intestinal.
A constipação funcional é uma condição gastrointestinal comum na infância, afetando até 30% das crianças e sendo uma das principais causas de dor abdominal e visitas ao pediatra. É caracterizada por evacuações infrequentes ou dolorosas, muitas vezes associadas a um comportamento de retenção fecal. A identificação precoce e o manejo adequado são cruciais para prevenir complicações e melhorar a qualidade de vida da criança. A fisiopatologia envolve um ciclo vicioso onde fezes duras e dolorosas levam à retenção, que por sua vez causa distensão retal e perda da sensibilidade, agravando a constipação. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios de Roma IV, e o exame físico pode revelar massa fecal palpável. É fundamental excluir causas orgânicas, embora sejam raras. O tratamento da constipação funcional pediátrica é multifacetado, iniciando com a desimpactação fecal (se presente) e seguido por terapia de manutenção com laxantes osmóticos como o polietilenoglicol (PEG), que é seguro e eficaz. Além disso, são essenciais orientações dietéticas para aumentar a ingestão de fibras e líquidos, e medidas comportamentais, como o treinamento de toalete regular após as refeições, para reeducar o intestino e estabelecer hábitos evacuatórios saudáveis a longo prazo.
Os critérios de Roma IV incluem dois ou mais dos seguintes por pelo menos um mês: 2 ou menos evacuações por semana, pelo menos um episódio de incontinência fecal por semana, histórico de retenção fecal, fezes grandes e dolorosas, massa fecal palpável no abdome ou fezes volumosas no reto.
O PEG é um laxante osmótico seguro e eficaz, que age retendo água nas fezes, tornando-as mais macias e fáceis de evacuar. É a primeira linha de tratamento para desimpactação e manutenção na constipação funcional pediátrica.
Dietas pobres em fibras e líquidos contribuem para fezes endurecidas. O comportamento de retenção, muitas vezes por medo de dor ao evacuar, agrava o quadro, levando a um ciclo vicioso de fezes mais duras e maior retenção.
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