CMC - Fundação Centro Médico de Campinas (SP) — Prova 2025
Sobre as doenças gastrointestinais na infância, especificamente a constipação funcional, assinale a alternativa correta:
Constipação funcional pediátrica = diagnóstico clínico (Critérios de Roma IV), sem necessidade de exames de imagem de rotina.
A constipação funcional é a causa mais comum de constipação na infância, sendo um diagnóstico eminentemente clínico baseado nos critérios de Roma. Fatores como dieta pobre em fibras, baixa ingestão hídrica e, principalmente, o comportamento de retenção fecal são centrais em sua fisiopatologia.
A constipação funcional é um distúrbio gastrointestinal extremamente comum na infância, respondendo por mais de 95% dos casos de constipação em crianças maiores de 1 ano. É definida por critérios clínicos, como os de Roma IV, que incluem frequência evacuatória reduzida, fezes endurecidas, dor ao evacuar e comportamento de retenção. Fatores como dieta pobre em fibras, baixa ingestão de líquidos e eventos dolorosos (como fissura anal) podem iniciar um ciclo vicioso de retenção fecal. O diagnóstico é clínico, e exames de imagem como radiografias ou ressonância magnética não são indicados rotineiramente, sendo reservados para casos com sinais de alarme que sugiram uma causa orgânica (ex: Doença de Hirschsprung, anomalias espinhais). A abordagem terapêutica envolve quatro pilares: educação (desmistificar o problema), desimpactação fecal (se presente), terapia de manutenção com laxativos (polietilenoglicol é a primeira linha) e modificações dietéticas e comportamentais. O tratamento deve ser mantido por meses para permitir que o cólon retome seu tônus normal e para que a criança perca o medo de evacuar, prevenindo recidivas. A interrupção precoce dos laxativos é um erro comum que leva ao insucesso terapêutico. A abordagem multidisciplinar, envolvendo médicos, nutricionistas e psicólogos, pode ser necessária em casos refratários.
Sinais de alarme (red flags) incluem início antes de 1 mês de vida, atraso na eliminação de mecônio (>48h), distensão abdominal importante, vômitos biliosos, fístula perianal, anormalidades sacrais e falha no crescimento. A presença desses sinais exige investigação adicional.
A primeira etapa é a desimpactação fecal para esvaziar o reto e o cólon. Isso pode ser feito com polietilenoglicol (PEG) em altas doses por via oral ou com enemas. Somente após a desimpactação bem-sucedida é que se inicia a terapia de manutenção com laxativos em doses menores.
Na Doença de Hirschsprung, a constipação é severa e presente desde o nascimento, a ampola retal está vazia ao toque e pode haver falha no crescimento. Na constipação funcional, o início é mais tardio (frequentemente associado ao desfralde ou introdução alimentar), a ampola retal está cheia de fezes e o crescimento é tipicamente normal.
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