Constipação Pediátrica: Diferenciando Funcional e Orgânica

SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2020

Enunciado

Leiam os três casos clínicos abaixo: Caso 1: Lactente de 2 meses, com genitora referindo dificuldade para evacuar, com frequência média a cada 3 a 5 dias. Está em aleitamento materno exclusivo sob livre demanda. Sem história de vômitos ou dor abdominal. Quando evacua, as fezes têm aspecto pastoso. Ganho pôndero-estatural adequado e, ao exame, não foi observada dor ou distensão abdominal. Toque retal com fezes de consistência normal na ampola. Caso 2: Criança de 1 ano, com queixa de distensão abdominal e dificuldade para evacuar desde o nascimento. Genitora refere que é comum o menor apresentar quadro de inapetência e vômitos. Nos antecedentes, mãe refere atraso na eliminação do mecônio. Apresenta ganho pôndero-estatural inadequado para a faixa etária. Ao exame, observa-se abdome distendido com eliminação de fezes explosivas ao toque retal. Caso 3: Paciente de 5 anos com história de dificuldade para evacuar há 6 meses. Genitora refere que o paciente evacua, em média, 1 vez por semana, apresenta comportamento retentivo, muitas vezes referindo ""medo de fazer cocô porque sente dor"". Quando evacua, as fezes são bastante volumosas e chegam a entupir o vaso sanitário. Apresenta ganho pôndero-estatural adequado.Ao exame, apresenta fezes endurecidas ao toque retal. Sobre esses casos, assinale a alternativa CORRETA.

Alternativas

  1. A) Os casos 1 e 3 necessitam de tratamento medicamentoso, e o 2, provavelmente, necessitará de intervenção cirúrgica
  2. B) O caso 1 descreve uma situação fisiológica. Os casos 2 e 3 descrevem quadros de constipação funcional, sem sinais de alarme.
  3. C) O caso 1 evidencia uma situação fisiológica. O caso 2 mostra uma constipação de etiologia orgânica. O caso 3, provavelmente, se trata de uma constipação crônica funcional.
  4. D) O caso 1 é um quadro fisiológico. O caso 2, provavelmente, se refere a um paciente com constipação funcional. O caso 3 evidencia um paciente com constipação de provável etiologia orgânica.
  5. E) Os casos 1, 2 e 3 necessitam de tratamento medicamentoso.

Pérola Clínica

Constipação lactente AM = fisiológica; Sinais alarme (atraso mecônio, distensão, vômitos, falha crescimento) → orgânica (Hirschsprung); Comportamento retentivo + fezes volumosas = funcional.

Resumo-Chave

A diferenciação entre constipação funcional e orgânica em pediatria é crucial. Sinais de alarme como atraso na eliminação do mecônio, distensão abdominal, vômitos e falha de crescimento sugerem etiologia orgânica, como a Doença de Hirschsprung, que requer investigação e tratamento específicos. A constipação funcional é mais comum e geralmente não apresenta esses sinais.

Contexto Educacional

A constipação é uma queixa comum na pediatria, e sua correta avaliação é fundamental para diferenciar causas funcionais de orgânicas. A constipação funcional, que representa a maioria dos casos, é frequentemente associada a fatores dietéticos, comportamentais ou psicológicos, enquanto as causas orgânicas, embora menos comuns, podem indicar condições graves como a Doença de Hirschsprung. A identificação precoce de sinais de alarme é crucial para um diagnóstico e manejo adequados, evitando complicações e melhorando a qualidade de vida do paciente. A Doença de Hirschsprung é uma condição congênita caracterizada pela ausência de células ganglionares nos plexos submucoso (Meissner) e mioentérico (Auerbach) em um segmento do intestino distal, resultando em um segmento aganglionar funcionalmente obstruído. O diagnóstico é suspeitado clinicamente por atraso na eliminação do mecônio, distensão abdominal e fezes explosivas após o toque retal, e confirmado por biópsia retal. O tratamento é cirúrgico, visando a ressecção do segmento aganglionar. A constipação funcional crônica é definida pelos Critérios de Roma IV e se manifesta por dor ou dificuldade para evacuar, fezes volumosas e endurecidas, comportamento retentivo e, por vezes, encoprese. O tratamento envolve medidas dietéticas, modificação comportamental e, frequentemente, uso de laxantes osmóticos para amolecer as fezes e facilitar a evacuação, quebrando o ciclo de dor e retenção.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alarme para constipação orgânica em crianças?

Sinais de alarme incluem atraso na eliminação do mecônio (>48h), distensão abdominal, vômitos biliosos, falha de crescimento, fezes em fita e ausência de fezes na ampola retal ao toque.

Como diferenciar constipação fisiológica do lactente da patológica?

A constipação fisiológica do lactente amamentado é caracterizada por evacuações infrequentes (até 7 dias), mas com fezes pastosas e sem dor, bom ganho ponderal e ausência de distensão abdominal.

Qual a principal causa de constipação orgânica em crianças?

A Doença de Hirschsprung, ou megacólon congênito, é a causa orgânica mais comum, caracterizada pela ausência de células ganglionares no plexo mioentérico em um segmento do cólon, impedindo a peristalse normal.

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