FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2022
Criança de 3 anos é atendida na emergência pediátrica com mãe referindo infecção urinária de repetição e urgência miccional desde o início do desfralde. A mãe informa também que criança apresenta fezes em cíbalos com dor ao evacuar e faz manobras de retenção fecal. O exame de urina tipo I é normal e a cultura de urina recente foi negativa. No tratamento inicial desta paciente o medicamento que deve ser usado como primeira escolha é:
Constipação funcional + disfunção miccional em criança → Polietilenoglicol (primeira escolha).
A constipação funcional crônica em crianças é uma causa comum de disfunção miccional, como urgência e infecções urinárias de repetição, devido à compressão da bexiga pelo reto distendido e dissinergia pélvica. O tratamento inicial foca na resolução da constipação, sendo o Polietilenoglicol (PEG) a primeira escolha.
A constipação funcional é um problema comum na infância, afetando significativamente a qualidade de vida das crianças e suas famílias. Caracteriza-se por dificuldade ou infrequência nas evacuações, fezes endurecidas e, muitas vezes, dor associada. Em crianças, a constipação crônica é uma causa frequente de disfunções do trato urinário inferior, como urgência miccional, incontinência urinária e infecções urinárias de repetição, devido à proximidade anatômica e à dissinergia funcional entre o reto e a bexiga. A fisiopatologia envolve a distensão crônica do reto com fezes, que pode comprimir a bexiga, alterando sua capacidade e função. Além disso, a dor ao evacuar pode levar a manobras de retenção fecal, onde a criança contrai o esfíncter anal e o assoalho pélvico para evitar a defecação. Essa contração crônica pode afetar a coordenação dos músculos do assoalho pélvico durante a micção, resultando em esvaziamento incompleto da bexiga e maior risco de infecções. O desfralde é um período crítico onde a constipação pode se iniciar ou agravar. O tratamento inicial da constipação funcional em crianças é fundamental e deve focar na desimpactação fecal e na manutenção de fezes macias. O Polietilenoglicol (PEG) é o laxante osmótico de primeira escolha, devido à sua segurança, eficácia e boa tolerabilidade em longo prazo. A resolução da constipação é essencial para melhorar os sintomas urinários associados, muitas vezes sem a necessidade de medicamentos específicos para a bexiga. A abordagem deve incluir também orientação dietética (aumento de fibras e líquidos) e treinamento comportamental.
A constipação crônica leva à distensão do reto, que pode comprimir a bexiga, dificultar seu esvaziamento completo e causar disfunção do assoalho pélvico, aumentando o risco de infecções urinárias de repetição e urgência miccional.
O PEG é um laxante osmótico seguro e eficaz para crianças, pois não é absorvido, não causa dependência e amolece as fezes, facilitando a evacuação e prevenindo a retenção fecal.
Sinais incluem fezes duras e em cíbalos, dor ao evacuar, manobras de retenção fecal (posturas para evitar a evacuação), evacuações infrequentes e, em alguns casos, encoprese (perda involuntária de fezes).
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