INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2020
Uma criança com 6 anos de idade é levada para atendimento em Unidade Básica de Saúde devido à constipação intestinal. O quadro teve início há 1 mês e vem piorando gradativamente, com postura retentiva e incontinência urinária associados. Atualmente, a criança apresenta apenas uma evacuação a cada 3 dias, com fezes em síbalos. Ao exame físico, mostra-se em bom estado geral, corada e hidratada. Abdome globoso, distendido, sem visceromegalias, com fezes palpáveis em fossa ilíaca esquerda. O toque retal evidencia esfíncteres anal interno relaxado e externo contraído, além de fezes na ampola retal. A provável causa da constipação intestinal é
Constipação funcional infantil: postura retentiva, encoprese, fezes palpáveis, toque retal com fezes na ampola e tônus normal.
A constipação funcional é a causa mais comum de constipação crônica em crianças, caracterizada por dor ou desconforto ao evacuar, levando à retenção fecal e, frequentemente, à encoprese. O exame físico e o toque retal são cruciais para o diagnóstico, diferenciando-a de causas orgânicas como a doença de Hirschsprung.
A constipação intestinal é uma queixa comum na pediatria, e a constipação funcional representa a vasta maioria dos casos em crianças. É crucial para o residente de pediatria e clínica médica saber reconhecer seus sinais e sintomas, que incluem a postura retentiva, a encoprese (incontinência fecal) e a presença de fezes endurecidas ou em síbalos. A compreensão da fisiopatologia, que envolve um ciclo vicioso de dor ao evacuar e retenção, é fundamental para o manejo adequado. O diagnóstico da constipação funcional é clínico, baseado nos critérios de Roma IV, e o exame físico, incluindo o toque retal, é indispensável para excluir causas orgânicas. A presença de fezes na ampola retal e um tônus anal normal são achados típicos da constipação funcional, enquanto uma ampola vazia e tônus aumentado sugerem doença de Hirschsprung. O tratamento visa a desimpactação fecal, seguida por terapia de manutenção com laxantes, orientações dietéticas e comportamentais. O prognóstico é bom com manejo adequado, mas a adesão ao tratamento e a educação dos pais são essenciais para evitar recidivas e complicações a longo prazo, como megacólon funcional.
Os critérios de Roma IV para constipação funcional em crianças incluem pelo menos dois dos seguintes por um mês: duas ou menos evacuações por semana, pelo menos um episódio de incontinência fecal por semana, histórico de postura retentiva, evacuações dolorosas ou difíceis, presença de grande massa fecal no reto e histórico de fezes de grande diâmetro.
No toque retal para constipação funcional, a ampola retal geralmente contém fezes e o tônus do esfíncter anal é normal. Na aganglionose congênita (doença de Hirschsprung), a ampola retal está vazia de fezes e pode haver um tônus do esfíncter anal interno aumentado, seguido por uma explosão de fezes ao retirar o dedo.
A conduta inicial envolve desimpactação fecal, seguida por terapia de manutenção com laxantes osmóticos (como polietilenoglicol), modificações dietéticas (aumento de fibras e líquidos) e treinamento comportamental para estabelecer hábitos de evacuação regulares.
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