HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2025
enina, de 3 anos de idade, é levada a consulta pela mãe, que relata alteração do hábito intestinal há cerca de 2 meses. A mãe refere que a criança possuía hábito regular, evacuando de 1 a 2 vezes ao dia, passando a evacuar apenas 1 vez a cada 3 dias, relatando dor ao evacuar, com episódios de choro ao ir ao banheiro. Refere também a ocorrência de episódios de fezes de grande calibre. A mãe nega sangramentos ou muco nas fezes. Diante do quadro relatado pela mãe, qual é a alternativa correta?
Constipação funcional pediátrica → Critérios de Roma IV: <2 evac/sem, dor evac, fezes grandes, ≥1 mês. Diagnóstico clínico.
A constipação funcional em crianças é diagnosticada clinicamente pelos Critérios de Roma IV, que incluem frequência de evacuações reduzida, dor ao evacuar e fezes de grande calibre, entre outros, por pelo menos um mês. É fundamental reconhecer esses critérios para iniciar o tratamento adequado e evitar investigações desnecessárias.
A constipação funcional é um problema comum na pediatria, afetando uma parcela significativa das crianças e impactando sua qualidade de vida. É caracterizada por uma dificuldade persistente ou infrequência na evacuação, sem uma causa orgânica subjacente. O reconhecimento precoce e o manejo adequado são essenciais para prevenir complicações como fecaloma e encoprese, que podem ter sérias consequências psicossociais para a criança e sua família. O diagnóstico da constipação funcional é clínico e baseia-se nos Critérios de Roma IV, que consideram a frequência das evacuações, a consistência das fezes, a presença de dor ao evacuar e a ocorrência de retenção fecal, entre outros. Esses critérios devem estar presentes por pelo menos um mês. É fundamental realizar uma anamnese detalhada e um exame físico cuidadoso para excluir sinais de alarme que sugiram uma causa orgânica, como atraso na eliminação do mecônio, sangramento retal, perda de peso ou distensão abdominal grave. O tratamento da constipação funcional envolve medidas dietéticas (aumento da ingestão de fibras e líquidos), modificações comportamentais (treinamento para o toalete) e, quando necessário, o uso de laxantes osmóticos (como o polietilenoglicol) para amolecer as fezes e facilitar a evacuação. A desimpactação fecal pode ser necessária em casos de fecaloma. O acompanhamento é prolongado e visa reestabelecer um hábito intestinal regular e sem dor, com educação dos pais e da criança sobre a importância da adesão ao tratamento e prevenção de recidivas.
Os principais critérios incluem: duas ou menos evacuações por semana, pelo menos um episódio de incontinência fecal por semana (em crianças treinadas para o toalete), histórico de retenção fecal excessiva, histórico de evacuações dolorosas ou difíceis, histórico de fezes de grande calibre e presença de massa fecal grande no reto. Dois ou mais desses critérios por pelo menos um mês são suficientes para o diagnóstico.
A diferenciação é crucial porque a constipação funcional é a causa mais comum e seu tratamento é primariamente clínico, enquanto as causas orgânicas (como hipotireoidismo, doença de Hirschsprung, doença celíaca) requerem investigações específicas e tratamentos direcionados, que podem ser cirúrgicos ou medicamentosos.
Na maioria dos casos de constipação funcional, exames laboratoriais não são necessários. No entanto, se houver sinais de alarme ou suspeita de causa orgânica, pode-se considerar TSH e T4 livre (hipotireoidismo), eletrólitos (desidratação), e em casos específicos, testes para doença celíaca ou doença de Hirschsprung, conforme a avaliação clínica.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo