FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2020
Menino de 5 anos, apresenta queixa de constipação intestinal há 2 anos. Mãe refere que mesmo sendo ressecado está sempre com a cueca manchada de fezes fétidas. Gosta muito de leite. Andou com 1 ano e 2 meses e entrou na escola com 3 anos. Ao exame físico, palpa-se uma massa dura de fezes no cólon. No exame retal encontra-se uma grande quantidade de fezes em um reto dilatado. Perante esta situação clínica assinale qual a melhor alternativa.
Criança com constipação crônica + encoprese = impactação fecal. Tratamento: desimpactação + laxantes de manutenção + reeducação intestinal.
O quadro descreve uma constipação funcional crônica com encoprese (incontinência fecal por transbordamento), comum em crianças. O tratamento envolve a desimpactação fecal, seguida por terapia laxante de manutenção e o estabelecimento de hábitos intestinais regulares, com suporte psicológico e nutricional.
A constipação funcional crônica é um problema comum na infância, afetando uma parcela significativa das crianças e sendo uma das principais causas de visitas ao pediatra. Quando não tratada adequadamente, pode evoluir para impactação fecal e encoprese, que é a passagem involuntária de fezes na roupa íntima após a idade de controle esfincteriano. A encoprese é frequentemente um sinal de retenção fecal crônica, onde o reto se dilata e perde a sensibilidade, permitindo o vazamento de fezes líquidas ao redor da massa impactada. O diagnóstico é clínico, baseado na história de constipação e nos achados do exame físico, como a palpação de massa fecal no abdome e um reto dilatado e cheio de fezes. Fatores como dieta pobre em fibras, baixa ingestão de líquidos, sedentarismo e, em alguns casos, o consumo excessivo de leite, podem contribuir para o quadro. É importante excluir causas orgânicas, embora a maioria dos casos seja funcional. O tratamento da constipação funcional com encoprese é multifacetado e requer paciência e persistência. A primeira etapa é a desimpactação fecal, que pode ser feita com laxantes orais de alta dose (ex: polietilenoglicol) ou enemas, sob orientação médica. Após a desimpactação, inicia-se a fase de manutenção com laxantes osmóticos (como o PEG) em doses ajustadas para manter as fezes macias e fáceis de evacuar. Paralelamente, é fundamental o estabelecimento de hábitos intestinais regulares, como sentar no vaso sanitário por 5-10 minutos após as refeições, e o suporte psicossocial para a criança e a família, visando reduzir o estresse e a vergonha associados à encoprese.
Os pilares incluem a desimpactação fecal (remoção da massa de fezes impactadas), terapia laxante de manutenção a longo prazo para evitar nova impactação, e o estabelecimento de hábitos intestinais regulares, como sentar no vaso sanitário após as refeições.
A encoprese, ou incontinência fecal por transbordamento, ocorre quando a retenção prolongada de fezes no reto leva à dilatação retal e perda da sensibilidade. Fezes líquidas ou semilíquidas podem vazar ao redor da massa fecal impactada, resultando em "sujidade" na roupa íntima.
A dieta desempenha um papel importante, mas raramente é a única solução. Aumentar a ingestão de fibras e líquidos é benéfico, mas não substitui a necessidade de desimpactação e laxantes de manutenção em casos de constipação crônica grave com impactação. O consumo excessivo de leite pode contribuir para a constipação em algumas crianças.
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