UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2025
Lactente de 8 meses, bem nutrido, há 2 meses, desde o início da alimentação complementar, evacua fezes endurecidas e muito calibrosas, a cada 4 a 5 dias, com muito esforço e dor (choro). Mãe aumentou fibra na dieta, sem melhora. Nega atraso de eliminação de mecônio e apresenta exame físico sem alterações. Considerando o diagnóstico mais provável, qual é o tratamento recomendado?
Constipação funcional em lactentes: primeira linha de tratamento é a lactulose ou polietilenoglicol (PEG).
A constipação funcional é comum em lactentes, especialmente após o início da alimentação complementar. O tratamento inicial foca em amolecer as fezes e facilitar a evacuação, sendo a lactulose um laxante osmótico seguro e eficaz para essa faixa etária.
A constipação funcional é uma condição gastrointestinal comum na infância, afetando até 30% das crianças, e é frequentemente observada em lactentes após o início da alimentação complementar. Caracteriza-se por evacuações infrequentes, dolorosas ou difíceis, com fezes endurecidas e de grande calibre, sem uma causa orgânica subjacente. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios de Roma IV. A fisiopatologia da constipação funcional em lactentes muitas vezes envolve um ciclo vicioso: fezes duras causam dor durante a evacuação, levando a criança a reter as fezes para evitar a dor, o que as torna ainda mais duras e maiores. O tratamento inicial visa quebrar esse ciclo, amolecendo as fezes. Aumentar a ingestão de fibras e líquidos é uma medida inicial, mas frequentemente são necessários laxantes. A lactulose é um laxante osmótico de primeira linha para constipação funcional em lactentes e crianças. Ela atua atraindo água para o intestino, tornando as fezes mais macias e fáceis de passar. Outras opções incluem o polietilenoglicol (PEG). O óleo mineral não é recomendado para lactentes devido ao risco de aspiração e pneumonite lipídica. Probióticos podem ter um papel adjuvante, mas não são a terapia principal. A exclusão da proteína do leite de vaca é reservada para casos com forte suspeita de alergia.
Os critérios incluem evacuações dolorosas ou difíceis, fezes endurecidas, grande diâmetro das fezes, frequência de evacuações < 3 por semana, e história de retenção fecal. Em lactentes, a dor e o esforço durante a evacuação são indicativos importantes.
A lactulose é um laxante osmótico que não é absorvido no intestino. Ela atrai água para o lúmen intestinal, amolecendo as fezes e aumentando seu volume, o que estimula o peristaltismo e facilita a evacuação, sendo segura para uso pediátrico.
A exclusão da proteína do leite de vaca deve ser considerada apenas se houver outros sinais e sintomas sugestivos de alergia à proteína do leite de vaca (APLV), como dermatite atópica, refluxo gastroesofágico grave, sangue nas fezes ou falha no tratamento da constipação funcional com laxantes.
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