Constipação Crônica Infantil: Manejo da Encoprese

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2024

Enunciado

Menino, 10a, é trazido à Unidade Básica de Saúde com história de dificuldade para evacuar há seis anos. Há dois anos passou a apresentar perdas fecais em roupas íntimas, de odor fétido, cinco vezes ao dia. Está em uso de lactulose 20mL/dia há dois meses, sem melhora. Hábito intestinal: uma vez por semana, fezes endurecidas em quantidade moderada. Nega vômitos ou sangue nas fezes. Exame físico: percentil 25 de peso e 50 de estatura; abdome: distensão abdominal e palpação de fezes de consistência endurecida em fossa ilíaca esquerda. A CONDUTA INICIAL É:

Alternativas

Pérola Clínica

Criança com constipação crônica + encoprese → desimpactação fecal (oral ou retal) + manutenção + educação.

Resumo-Chave

A presença de encoprese em um quadro de constipação crônica sugere impactação fecal. A conduta inicial é a desimpactação, geralmente com polietilenoglicol (PEG) oral em altas doses, seguida por terapia de manutenção e modificações comportamentais.

Contexto Educacional

A constipação crônica funcional é uma condição comum na pediatria, caracterizada por evacuações infrequentes ou dolorosas, fezes endurecidas e, muitas vezes, encoprese. A encoprese, ou incontinência fecal, é um sinal de impactação fecal, onde as fezes líquidas extravasam ao redor de um bolo fecal endurecido no reto. A prevalência é alta e impacta significativamente a qualidade de vida da criança e da família. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios de Roma IV. A fisiopatologia envolve um ciclo vicioso de retenção fecal, dor à evacuação, medo de evacuar e, consequentemente, maior retenção e endurecimento das fezes. O exame físico pode revelar distensão abdominal e massa fecal palpável. A falha da lactulose em altas doses sugere a necessidade de uma abordagem mais intensiva. A conduta inicial para constipação crônica com encoprese é a desimpactação fecal, preferencialmente com polietilenoglicol (PEG) oral em altas doses, por ser eficaz e seguro. Após a desimpactação, segue-se a fase de manutenção com laxantes osmóticos (como PEG em doses menores), associada a mudanças dietéticas (aumento de fibras e líquidos), treinamento de toalete e suporte psicossocial.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de impactação fecal em crianças com constipação crônica?

Os sinais incluem dor abdominal, distensão abdominal, massa fecal palpável no abdome, e a presença de encoprese (perda involuntária de fezes líquidas) que extravasam ao redor do bolo fecal endurecido.

Qual a conduta inicial para desimpactação fecal em crianças?

A conduta inicial é a desimpactação fecal, preferencialmente com polietilenoglicol (PEG) oral em altas doses, por ser eficaz e seguro. Em casos selecionados, pode-se usar enemas ou outras abordagens retais.

Como diferenciar constipação funcional de outras causas em pediatria?

A constipação funcional é um diagnóstico de exclusão, baseado nos critérios de Roma IV e na ausência de sinais de alarme (ex: atraso na eliminação de mecônio, vômitos biliosos, distensão abdominal grave, falha de crescimento), que sugeririam causas orgânicas.

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