SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2021
CMS, 5 anos, sexo feminino, apresenta fezes endurecidas com esforço a cada 5 dias e escape fecal diário. Família relata que, quando tem vontade de evacuar, se esconde atrás da cortina ou fica andando na ponta dos pés. Queixa-se de dor abdominal diária.A pediatra diagnosticou constipação crônica funcional e, para confirmar esse diagnóstico, é necessário
Constipação crônica funcional em crianças = diagnóstico clínico pelos Critérios de Roma IV.
O diagnóstico de constipação crônica funcional em crianças é essencialmente clínico, baseado na presença de dois ou mais critérios de Roma IV por um período mínimo, após exclusão de causas orgânicas. Exames invasivos são reservados para casos atípicos ou refratários.
A constipação crônica funcional é um dos problemas gastrointestinais mais comuns na pediatria, afetando uma parcela significativa das crianças em idade escolar. É caracterizada por um padrão de evacuações infrequentes ou dolorosas, muitas vezes associado a retenção fecal e encoprese (escape fecal). O impacto na qualidade de vida da criança e da família é considerável, sendo fundamental um diagnóstico precoce e manejo adequado para evitar complicações e sofrimento. O diagnóstico da constipação crônica funcional é eminentemente clínico, baseado na história detalhada e no exame físico, e confirmado pela aplicação dos Critérios de Roma IV. Esses critérios padronizam a definição da condição, exigindo a presença de pelo menos dois sintomas específicos por um período mínimo, na ausência de causas orgânicas. É crucial que o pediatra esteja atento aos sinais de alerta que poderiam indicar uma etiologia orgânica, como doença de Hirschsprung ou hipotireoidismo, que exigem investigação adicional. O tratamento da constipação crônica funcional envolve uma abordagem multifacetada, incluindo educação familiar, desimpactação fecal (se presente), uso de laxantes osmóticos (como polietilenoglicol), modificações dietéticas (aumento de fibras e líquidos) e treinamento comportamental. Exames complementares como enema opaco, manometria anorretal ou biópsia retal são reservados para casos atípicos, refratários ao tratamento ou com sinais de alerta, e não devem ser solicitados de rotina.
Os Critérios de Roma IV para constipação funcional em crianças incluem: duas ou menos evacuações por semana; pelo menos um episódio de incontinência fecal por semana; histórico de retenção fecal excessiva; histórico de evacuações dolorosas ou difíceis; presença de grande massa fecal no reto; e histórico de fezes de grande diâmetro que podem obstruir o vaso sanitário. Dois ou mais desses critérios por pelo menos um mês são necessários.
Sinais de alerta para causas orgânicas incluem: início da constipação antes de 1 mês de idade, eliminação tardia de mecônio (>48h), vômitos biliosos, distensão abdominal grave, perda de peso, febre, sangue nas fezes sem fissura anal, ausência de reflexo cremastérico, ou anormalidades neurológicas/espinhais.
A manometria anorretal e o enema opaco não são exames de rotina para constipação funcional. Eles são indicados em casos de constipação refratária ao tratamento clínico, suspeita de doença de Hirschsprung, disfunções do assoalho pélvico ou outras causas orgânicas que não foram excluídas pela história e exame físico.
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