Constipação Crônica Pediátrica: Diagnóstico e Manejo

HAC - Hospital Angelina Caron (PR) — Prova 2015

Enunciado

Paciente de 7 anos de idade, feminina, vem ao consultório com queixa de dor abdominal recorrente, periumbilical, diária, tipo cólica. Apresenta queixa de fezes endurecidas, calibrosas e dor acentuada ao evacuar apenas umas 2 vezes por semana. Hábito alimentar inadequado, não toma água e come apenas alimentos industrializados. Ao exame apresenta-se corada, peso e estatura adequados para idade. Abdome globoso, porém flácido, fecalomas palpáveis em cólon descendente e escape de fezes em ânus (soiling). Sua conduta:

Alternativas

  1. A) Suspeita de megacólon congênito e encaminha para a cirurgia pediátrica.
  2. B) Suspeita de alergia à proteína do leite de vaca e faz dieta de exclusão.
  3. C) Diagnostica constipação crônica e introduz dieta laxante e fibras.
  4. D) Diagnostica cólon irritável e intolerância à lactose e encaminha para a gastro.
  5. E) Suspeita de oclusão intestinal aguda e solicita RX abdome.

Pérola Clínica

Criança com dor abdominal, fezes calibrosas, soiling e fecaloma → Constipação crônica funcional.

Resumo-Chave

O quadro clínico da paciente, com dor abdominal periumbilical, fezes endurecidas e calibrosas, dor ao evacuar, baixa frequência evacuatória, fecalomas palpáveis e soiling, é clássico de constipação crônica funcional. A conduta inicial envolve mudanças dietéticas e aumento de fibras e líquidos.

Contexto Educacional

A constipação crônica funcional é uma condição comum na pediatria, caracterizada por dor abdominal, dificuldade para evacuar e retenção fecal. É crucial para o residente saber identificar os sinais clássicos como fezes calibrosas, dor à evacuação e, especialmente, o "soiling" (escape de fezes), que indica impactação fecal e é um forte marcador de constipação funcional. O diagnóstico é clínico e a exclusão de causas orgânicas é feita após a falha do tratamento conservador. A fisiopatologia envolve um ciclo vicioso de retenção fecal, dor, medo de evacuar e endurecimento das fezes. O tratamento inicial é conservador, com foco na desimpactação (se presente), dieta rica em fibras, hidratação adequada e uso de laxantes osmóticos. A reeducação intestinal e o suporte familiar são fundamentais para o sucesso a longo prazo. O prognóstico é geralmente bom com manejo adequado, mas a recorrência é comum se as mudanças de hábitos não forem mantidas. É importante evitar intervenções invasivas desnecessárias antes de esgotar as opções clínicas, e o encaminhamento para cirurgia pediátrica ou gastroenterologia é reservado para casos refratários ou com suspeita de causas orgânicas.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da constipação crônica funcional em crianças?

Os principais sinais incluem dor abdominal recorrente, fezes endurecidas e calibrosas, dor ao evacuar, baixa frequência evacuatória, e a presença de fecalomas palpáveis e soiling (escape de fezes).

Qual a conduta inicial para o tratamento da constipação crônica pediátrica?

A conduta inicial foca em mudanças no estilo de vida, como introdução de dieta rica em fibras, aumento da ingestão de líquidos e reeducação do hábito intestinal. Laxantes osmóticos podem ser necessários.

Como diferenciar constipação crônica funcional de megacólon congênito (Hirschsprung)?

Na constipação funcional, o soiling e a presença de fecalomas são comuns. No Hirschsprung, geralmente há ausência de soiling, início precoce dos sintomas (falha na eliminação de mecônio) e ausência de fecalomas devido à aganglionose.

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