Constipação Crônica: Sinais de Alerta e Manejo Clínico

PMC - Prefeitura Municipal de Curitiba / SMS (PR) — Prova 2020

Enunciado

Edinéia. 47 anos, procurou sua USF para consultar, queixando-se de dificuldades para evacuar. Relatou que sente desconforto para evacuar já há 4 anos. Embora consiga evacuar pelo menos 3 vezes na semana, quase sempre necessita de muita força para conseguir defecar. Além disso, sente que precisaria evacuar com mais frequência, pois seu abdome fica distendido, e ela tem uma sensação de ""inchaço"" no dia que antecede a evacuação. É doméstica, trabalha 5 dias da semana e fica até tarde fora de casa. Tem 2 filhos, nascidos de parto normal e sem intercorrências. O médico a escuta, examina e sugere que ela consuma mais líquidos, além de prescrever laxantes para estimular a evacuação, à base de bisacodil. Em relação ao caso clínico responda:

Alternativas

  1. A) Ao relatar história de distensão abdominal, este pode ser considerado um sinal de alerta.
  2. B) Edinéia necessita majoritariamente realizar uma colonoscopia para afastar uma possível causa obstrutiva do trato gastrointestinal.
  3. C) Se não houver sinal de alerta, nenhum exame deve ser solicitado.
  4. D) Ela não é constipada.
  5. E) Nenhuma das alternativas anteriores.

Pérola Clínica

Constipação crônica: investigar sinais de alerta antes de exames invasivos.

Resumo-Chave

A avaliação da constipação crônica deve focar na identificação de sinais de alerta (ex: perda de peso, sangramento, anemia, início recente >50 anos) que justifiquem investigação mais aprofundada, como colonoscopia. Na ausência desses, o manejo inicial é clínico.

Contexto Educacional

A constipação crônica é uma queixa comum na atenção primária, afetando significativamente a qualidade de vida dos pacientes. É caracterizada por evacuações infrequentes ou dificuldade na passagem das fezes, e seu diagnóstico é baseado nos critérios de Roma IV, que consideram a frequência e as características das evacuações. A abordagem inicial deve ser cuidadosa para diferenciar causas funcionais de orgânicas. A avaliação clínica é fundamental para identificar a presença de "sinais de alerta" ou "red flags", que indicam a necessidade de investigação mais aprofundada, como colonoscopia. Esses sinais incluem perda de peso inexplicada, sangramento retal, anemia, início recente da constipação em pacientes mais velhos (>50 anos), histórico familiar de câncer colorretal ou doença inflamatória intestinal. Na ausência desses sinais, a constipação é geralmente funcional. O tratamento da constipação funcional começa com medidas dietéticas e de estilo de vida, como aumento da ingestão de fibras e líquidos, e atividade física. Se essas medidas não forem suficientes, podem ser prescritos laxantes, começando pelos formadores de bolo e osmóticos, e, se necessário, laxantes estimulantes. A educação do paciente sobre a condição e o manejo é crucial para o sucesso terapêutico e para evitar o uso inadequado de laxantes.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais de alerta na constipação crônica que indicam necessidade de investigação?

Sinais de alerta incluem início recente da constipação (especialmente em >50 anos), perda de peso inexplicada, sangramento retal, anemia por deficiência de ferro, histórico familiar de câncer colorretal ou doença inflamatória intestinal, e dor abdominal noturna.

Quais são os critérios de Roma IV para o diagnóstico de constipação funcional?

Os critérios de Roma IV para constipação funcional incluem esforço em >25% das evacuações, fezes endurecidas em >25%, sensação de evacuação incompleta em >25%, sensação de obstrução/bloqueio anorretal em >25%, manobras manuais para facilitar em >25%, e menos de 3 evacuações espontâneas por semana, por pelo menos 3 meses.

Qual a conduta inicial para constipação crônica sem sinais de alerta?

A conduta inicial envolve medidas não farmacológicas como aumento da ingestão de fibras e líquidos, prática de exercícios físicos. Se necessário, podem ser utilizados laxantes formadores de bolo fecal, osmóticos ou estimulantes, como o bisacodil.

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