CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2018
Com relação às conjuntivites, é correto afirmar:
Conjuntivite por Neisseria → Risco de perfuração corneana → Tratamento SEMPRE sistêmico.
A infecção conjuntival por Neisseria (gonococo ou meningococo) é uma emergência oftalmológica devido ao seu potencial invasivo, exigindo antibioticoterapia sistêmica para prevenir cegueira.
As conjuntivites infecciosas neonatais e do adulto apresentam espectros de gravidade variados. A Neisseria gonorrhoeae e a Neisseria meningitidis são agentes de conjuntivite hiperaguda, caracterizada por quemose intensa e secreção purulenta abundante. A gravidade reside na virulência desses patógenos, que podem causar ceratite ulcerativa periférica rapidamente progressiva. O manejo envolve internação (especialmente em neonatos), irrigação copiosa com soro fisiológico e antibioticoterapia sistêmica. Em adultos, a coinfecção com Chlamydia deve ser sempre considerada, orientando o tratamento combinado. O diagnóstico precoce via bacterioscopia (Gram) e cultura é vital para a preservação da acuidade visual.
A Neisseria gonorrhoeae é um dos poucos patógenos capazes de penetrar um epitélio corneano íntegro, podendo levar à ulceração, perfuração e endoftalmite em menos de 24-48 horas. O tratamento sistêmico (geralmente com Ceftriaxona) é obrigatório para garantir níveis terapêuticos adequados nos tecidos oculares e para tratar possíveis focos de infecção extraocular ou disseminação sistêmica, o que não é alcançado apenas com colírios.
O método de Credé consiste na instilação de nitrato de prata a 1% nos olhos do recém-nascido logo após o parto para prevenir a oftalmia neonatal gonocócica. Embora eficaz contra o gonococo, o nitrato de prata é um irritante químico que frequentemente causa conjuntivite química nas primeiras 24 horas de vida, caracterizada por hiperemia e lacrimejamento, sendo geralmente autolimitada.
A conjuntivite gonocócica costuma aparecer cedo (2-5 dias de vida) e é hiperaguda, com secreção purulenta profusa. A conjuntivite por Chlamydia surge mais tarde (5-14 dias), tem secreção mucopurulenta e, no neonato, não apresenta folículos típicos (pois o tecido linfoide ocular ainda não está maduro), mas pode cursar com formação de pseudomembranas e risco de pneumonia associada.
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