CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2022
Com relação às manifestações das conjuntivites, é correto afirmar:
Conjuntivite Papilar Gigante (Lentes/Próteses) → Acomete quase exclusivamente a conjuntiva tarsal superior.
A reação papilar gigante é uma resposta inflamatória mecânica e imunológica a corpos estranhos, concentrando-se onde o atrito palpebral é maior.
As conjuntivites papilares representam um espectro de doenças inflamatórias da superfície ocular. As papilas são elevações da conjuntiva tarsal com um núcleo vascular central, diferenciando-se dos folículos (que são agregados linfoides avasculares). A localização das papilas é um dado semiológico fundamental: enquanto a conjuntivite alérgica sazonal e a vernal preferem o tarso superior, a dermatoceratoconjuntivite atópica é notória por envolver o tarso inferior. A conjuntivite papilar gigante (CPG) é uma entidade específica onde o trauma mecânico repetitivo (como o bordo de uma lente de contato ou uma sutura de nylon) atua como adjuvante à resposta imune. O reconhecimento de que a CPG raramente afeta a conjuntiva inferior ajuda no diagnóstico diferencial com a ceratoconjuntivite atópica, orientando o tratamento para a remoção do agente causal mecânico além da terapia antialérgica convencional.
A conjuntivite papilar gigante é considerada uma resposta inflamatória de hipersensibilidade tipo I e IV, mas com um forte componente mecânico. Diferente da conjuntivite alérgica sazonal, que apresenta papilas pequenas, a CPG caracteriza-se por papilas com diâmetro superior a 1 mm (macropapilas ou papilas gigantes). Ela é tipicamente desencadeada pelo uso crônico de lentes de contato (especialmente as gelatinosas), próteses oculares ou suturas cirúrgicas expostas. Clinicamente, as papilas localizam-se quase exclusivamente na conjuntiva tarsal superior, onde o atrito com o corpo estranho é mais intenso durante o piscar, causando prurido, secreção mucosa e intolerância ao uso da lente ou prótese.
Na ceratoconjuntivite vernal (CVV), as papilas gigantes são classicamente encontradas na conjuntiva tarsal superior, podendo apresentar o aspecto de "pedras de calçamento". Existe também a forma limbar da CVV, com nódulos de Horner-Trantas. Já na dermatoceratoconjuntivite atópica (DCA), que está associada à dermatite atópica sistêmica, a hipertrofia papilar tende a ser menor e, crucialmente, envolve com maior frequência e intensidade a conjuntiva tarsal inferior. Essa distinção anatômica é uma pista diagnóstica importante: papilas gigantes superiores sugerem Vernal ou CPG; envolvimento inferior predominante sugere Atópica.
O pilar do tratamento da CPG é a remoção ou modificação do estímulo mecânico. Para usuários de lentes de contato, recomenda-se a interrupção temporária do uso, seguida da troca para lentes de descarte diário ou materiais com maior permeabilidade ao oxigênio e menor tendência ao acúmulo de depósitos proteicos. No caso de próteses, o polimento regular é essencial. Farmacologicamente, utilizam-se estabilizadores de mastócitos e anti-histamínicos tópicos para controlar os sintomas. Em casos graves com inflamação intensa, ciclos curtos de corticosteroides tópicos de baixa penetração (como o loteprednol) podem ser necessários para reduzir o tamanho das papilas e o desconforto do paciente.
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