Conjuntivite Neonatal por Clamídia: Diagnóstico e Manejo

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2022

Enunciado

Recém-nascido, sexo masculino, 19 dias de vida, está em consulta ambulatorial. Trata-se de recém-nascido de termo, parto vaginal hospitalar, mãe com 28 anos de idade, sem seguimento adequado no pré-natal. Nota-se edema palpebral bilateral, conjuntivas hiperemiadas e secreção ocular purulenta há um dia. Sem outras alterações significativas ao exame clínico. Qual é o diagnóstico mais provável?

Alternativas

  1. A) Conjuntivite por clamídia.
  2. B) Conjuntivite química por nitrato de prata.
  3. C) Conjuntivite gonocócica.
  4. D) Obstrução de ducto lacrimal.

Pérola Clínica

Conjuntivite neonatal tardia (>5 dias) com secreção purulenta e mãe sem pré-natal → pensar em Chlamydia trachomatis.

Resumo-Chave

A conjuntivite por clamídia em recém-nascidos geralmente se manifesta entre 5 e 14 dias de vida, mas pode ocorrer até 4 semanas. A apresentação é de edema palpebral, hiperemia conjuntival e secreção mucopurulenta. A ausência de pré-natal adequado da mãe aumenta o risco de infecções sexualmente transmissíveis.

Contexto Educacional

A conjuntivite neonatal, ou oftalmia neonatal, é uma inflamação da conjuntiva que ocorre nos primeiros 30 dias de vida. É uma condição importante devido ao risco de complicações graves, incluindo cegueira, se não for diagnosticada e tratada precocemente. A etiologia pode ser química (profilaxia), bacteriana (gonocócica, clamídia, estafilococos) ou viral. A Chlamydia trachomatis é uma das causas mais comuns de conjuntivite neonatal infecciosa, com uma incidência que varia de 2 a 40% em recém-nascidos de mães infectadas. A fisiopatologia da conjuntivite por Chlamydia trachomatis envolve a transmissão vertical da bactéria durante o parto vaginal. Os sintomas geralmente aparecem entre 5 e 14 dias de vida, mas podem se estender até 4 semanas, caracterizando-se por edema palpebral bilateral, hiperemia conjuntival e secreção ocular mucopurulenta. Diferentemente da conjuntivite gonocócica, que é mais aguda e grave, a clamídia tende a ter um curso mais subagudo. A ausência de pré-natal adequado é um fator de risco significativo, pois a triagem e o tratamento materno da clamídia durante a gestação previnem a infecção neonatal. O diagnóstico é clínico, mas a confirmação laboratorial por cultura ou PCR da secreção conjuntival é ideal. O tratamento da conjuntivite por clamídia é feito com eritromicina oral, que trata tanto a conjuntivite quanto a pneumonia por clamídia, uma complicação sistêmica potencial. É crucial tratar a mãe e seu parceiro simultaneamente para evitar reinfecção. O prognóstico é geralmente bom com tratamento adequado, mas a falta de tratamento pode levar a cicatrizes conjuntivais e, em casos raros, a complicações pulmonares.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais agentes etiológicos da conjuntivite neonatal e seus períodos de manifestação?

Os principais agentes são Neisseria gonorrhoeae (2-5 dias de vida), Chlamydia trachomatis (5-14 dias, até 4 semanas) e agentes químicos como nitrato de prata (primeiras 24h). Outros agentes bacterianos e virais também podem ocorrer.

Como a conjuntivite por Chlamydia trachomatis é transmitida ao recém-nascido?

A transmissão ocorre verticalmente, durante a passagem do recém-nascido pelo canal de parto de uma mãe infectada. A ausência de pré-natal adequado é um fator de risco para infecções maternas não tratadas.

Qual o tratamento recomendado para a conjuntivite neonatal por clamídia?

O tratamento de escolha é a eritromicina oral por 14 dias. É importante tratar tanto o recém-nascido quanto a mãe e seu parceiro para prevenir reinfecção e tratar outras infecções sexualmente transmissíveis associadas.

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