CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2012
Em qual das hipóteses diagnósticas abaixo, a coleta de raspado conjuntival para avaliação laboratorial é fundamental?
Conjuntivite neonatal hiperaguda → Raspado conjuntival + Gram/Cultura (emergência por risco de perfuração).
A conjuntivite por N. gonorrhoeae exige diagnóstico laboratorial imediato via raspado conjuntival, pois a bactéria pode penetrar o epitélio corneano íntegro, causando perfuração em 24-48h.
A oftalmia neonatal é definida como conjuntivite que ocorre nas primeiras quatro semanas de vida. A etiologia gonocócica costuma manifestar-se precocemente (2 a 5 dias após o nascimento) com quemose intensa e secreção purulenta abundante. O raspado conjuntival é o padrão-ouro para o diagnóstico rápido, permitindo diferenciar a Neisseria de outros agentes como Chlamydia ou Staphylococcus. Clinicamente, a capacidade da N. gonorrhoeae de invadir o epitélio corneano intacto a torna única e perigosa. O manejo exige internação hospitalar para monitoramento e terapia parenteral, além da avaliação obrigatória dos pais para doenças sexualmente transmissíveis.
O raspado conjuntival permite a identificação imediata de diplococos Gram-negativos intracelulares através da coloração de Gram, confirmando a infecção por Neisseria gonorrhoeae. Diferente de outras conjuntivites, a gonocócica é uma emergência médica que pode levar à perfuração da córnea em poucas horas se não for tratada com antibioticoterapia sistêmica adequada.
A demora no diagnóstico e tratamento da conjuntivite hiperaguda, especialmente a gonocócica, pode resultar em ceratite ulcerativa grave, endoftalmite e perfuração ocular. Além disso, a infecção pode se tornar sistêmica, causando meningite ou sepse no recém-nascido, tornando a avaliação laboratorial e o tratamento imediato cruciais para o prognóstico visual e sistêmico.
O tratamento envolve a administração sistêmica de ceftriaxona (dose única de 25-50 mg/kg, IV ou IM, não excedendo 125 mg). Adicionalmente, deve-se realizar a irrigação frequente do saco conjuntival com solução salina estéril para remover o exsudato purulento e considerar o tratamento concomitante para Chlamydia trachomatis, que frequentemente coexiste.
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