Conjuntivite Neonatal Gonocócica: Diagnóstico e Conduta

AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2026

Enunciado

Recém-nascido apresenta no terceiro dia de vida quadro de conjuntivite, com secreção purulenta espessa e abundante bilateralmente e com sinais de quemose de pálpebras. Baseado no agente etiológico mais provável, qual seria a melhor conduta para o caso?

Alternativas

  1. A) Colírio de tobramicina.
  2. B) Azitromicina por via oral.
  3. C) Antibioticoterapia sistêmica com penicilina ou ceftriaxona.
  4. D) Associação de colírio de eritromicina com penicilina cristalina.
  5. E) Irrigação ocular com solução de soro fisiológico a cada duas horas.

Pérola Clínica

Conjuntivite purulenta explosiva no 2º-5º dia de vida → Gonococo → Ceftriaxona/Penicilina sistêmica.

Resumo-Chave

A conjuntivite gonocócica neonatal manifesta-se precocemente com secreção purulenta abundante e exige tratamento sistêmico imediato para evitar a perfuração da córnea e cegueira.

Contexto Educacional

A oftalmia neonatal é definida como qualquer conjuntivite que ocorre nos primeiros 28 dias de vida. A etiologia gonocócica, causada pela Neisseria gonorrhoeae adquirida durante a passagem pelo canal de parto, é a forma mais grave devido ao seu potencial de causar ulceração e perfuração corneana rápida, levando à cegueira permanente. O quadro clínico clássico é de uma conjuntivite hiperaguda, bilateral, com quemose e secreção purulenta espessa. O manejo exige internação para administração de antibioticoterapia parenteral e avaliação oftalmológica rigorosa. Além do tratamento do recém-nascido, é imperativo investigar e tratar os pais para infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). A falha na profilaxia ocular ao nascimento é o principal fator de risco, mas mesmo com a profilaxia, a vigilância clínica nos primeiros dias de vida é essencial para o diagnóstico precoce.

Perguntas Frequentes

Como diferenciar a conjuntivite gonocócica da conjuntivite por Clamídia?

A conjuntivite gonocócica (Neisseria gonorrhoeae) costuma ser mais precoce (2º ao 5º dia de vida) e apresenta-se com secreção purulenta muito abundante, quemose e edema palpebral intenso, sendo uma emergência oftalmológica. Já a conjuntivite por Chlamydia trachomatis é mais tardia (5º ao 14º dia de vida), a secreção costuma ser muco-purulenta e menos exuberante, podendo estar associada a quadro de pneumonia afebril do lactente. O diagnóstico definitivo é feito por cultura ou PCR da secreção ocular.

Qual a droga de escolha para o tratamento da conjuntivite gonocócica?

O tratamento deve ser sempre sistêmico. A recomendação atual é o uso de Ceftriaxona (dose única de 25-50 mg/kg, IV ou IM, não excedendo 125 mg). Historicamente, a Penicilina G Cristalina também foi utilizada, mas devido ao aumento da resistência, a cefalosporina de terceira geração é preferida. Além do antibiótico, é fundamental realizar a irrigação frequente do olho com soro fisiológico para remover os debris purulentos que são tóxicos para a córnea.

O que é a profilaxia de Credé e ela ainda é recomendada?

A profilaxia de Credé consiste na instilação de nitrato de prata a 1% nos olhos do recém-nascido logo após o parto para prevenir a oftalmia neonatal. Embora eficaz contra o gonococo, pode causar conjuntivite química. Atualmente, muitas diretrizes recomendam o uso de pomada de eritromicina a 0,5% ou tetraciclina a 1% como alternativas menos irritantes. A profilaxia é obrigatória por lei em muitos locais, mas não substitui o tratamento sistêmico caso a infecção se instale.

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