Conjuntivite Neonatal por Chlamydia: Características e Diagnóstico

Santa Casa de Votuporanga (SP) — Prova 2022

Enunciado

Em relação às conjuntivites neonatais, é CORRETO afirmar que:

Alternativas

  1. A) As conjuntivites causadas por Chlamydia trachomatis nos recém-nascidos não evoluem com formação de folículos.
  2. B) As infecções por Haemophilus influenzae são mais frequentes do que as causadas por Streptococcus viridans
  3. C) A bactéria diplococo Gram-positiva mais frequentemente associada à conjuntivite neonatal é a Neisseria gonorrhoeae.
  4. D) O método de Credé, utilizado na profilaxia da oftalmia neonatal, é realizado com instilação do nitrato de prata a 10% nos olhos do recém- nascido, até 1 hora após o parto.

Pérola Clínica

Conjuntivite por Chlamydia em RN não forma folículos, devido à imaturidade linfóide neonatal.

Resumo-Chave

A conjuntivite neonatal por Chlamydia trachomatis é uma causa comum de oftalmia neonatal. Embora em adultos a infecção por Chlamydia cause conjuntivite folicular, em recém-nascidos, devido à imaturidade do tecido linfoide conjuntival, a formação de folículos não ocorre. A apresentação é tipicamente papilar.

Contexto Educacional

As conjuntivites neonatais, também conhecidas como oftalmia neonatal, são infecções oculares que ocorrem no primeiro mês de vida do recém-nascido. Elas representam um desafio diagnóstico e terapêutico, pois podem levar a complicações graves, incluindo cegueira, se não forem tratadas adequadamente. A etiologia é variada, sendo as causas infecciosas as mais preocupantes, transmitidas principalmente durante a passagem pelo canal de parto. A Chlamydia trachomatis é uma das causas mais frequentes de conjuntivite neonatal, com um período de incubação que varia de 5 a 14 dias após o nascimento. Uma característica distintiva da conjuntivite por Chlamydia em recém-nascidos é a ausência de formação de folículos na conjuntiva. Isso ocorre devido à imaturidade do sistema linfoide conjuntival do neonato, que ainda não é capaz de montar uma resposta imune folicular. Em contraste, em adultos, a infecção por Chlamydia tipicamente causa conjuntivite folicular. A apresentação em neonatos é geralmente papilar, com secreção mucopurulenta. O diagnóstico diferencial é crucial, pois a conjuntivite gonocócica, causada por Neisseria gonorrhoeae, é uma emergência oftalmológica devido ao risco rápido de perfuração da córnea e cegueira. A profilaxia com eritromicina tópica é amplamente utilizada, embora o método de Credé (nitrato de prata) seja eficaz contra gonococo, mas não contra Chlamydia e pode causar conjuntivite química. O tratamento da conjuntivite por Chlamydia envolve eritromicina oral para o recém-nascido, a fim de tratar a infecção ocular e prevenir complicações sistêmicas como a pneumonia por Chlamydia.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre a conjuntivite por Chlamydia em neonatos e adultos?

Em adultos, a conjuntivite por Chlamydia é tipicamente folicular, devido à resposta imune madura. Em neonatos, devido à imaturidade do tecido linfoide conjuntival, a formação de folículos não ocorre, apresentando-se como conjuntivite papilar com secreção mucopurulenta.

Qual a profilaxia recomendada para oftalmia neonatal?

A profilaxia da oftalmia neonatal é realizada com a instilação de eritromicina a 0,5% (pomada) nos olhos do recém-nascido, preferencialmente na primeira hora após o parto. O nitrato de prata a 1% (método de Credé) é eficaz contra Neisseria gonorrhoeae, mas não contra Chlamydia e pode causar conjuntivite química.

Quais são os agentes etiológicos mais comuns da conjuntivite neonatal?

Os agentes etiológicos mais comuns da conjuntivite neonatal incluem Neisseria gonorrhoeae (mais grave, início precoce), Chlamydia trachomatis (início mais tardio, 5-14 dias), e bactérias da flora vaginal como Staphylococcus aureus, Streptococcus pneumoniae e Haemophilus influenzae.

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