Santa Casa de Votuporanga (SP) — Prova 2022
Em relação às conjuntivites neonatais, é CORRETO afirmar que:
Conjuntivite por Chlamydia em RN não forma folículos, devido à imaturidade linfóide neonatal.
A conjuntivite neonatal por Chlamydia trachomatis é uma causa comum de oftalmia neonatal. Embora em adultos a infecção por Chlamydia cause conjuntivite folicular, em recém-nascidos, devido à imaturidade do tecido linfoide conjuntival, a formação de folículos não ocorre. A apresentação é tipicamente papilar.
As conjuntivites neonatais, também conhecidas como oftalmia neonatal, são infecções oculares que ocorrem no primeiro mês de vida do recém-nascido. Elas representam um desafio diagnóstico e terapêutico, pois podem levar a complicações graves, incluindo cegueira, se não forem tratadas adequadamente. A etiologia é variada, sendo as causas infecciosas as mais preocupantes, transmitidas principalmente durante a passagem pelo canal de parto. A Chlamydia trachomatis é uma das causas mais frequentes de conjuntivite neonatal, com um período de incubação que varia de 5 a 14 dias após o nascimento. Uma característica distintiva da conjuntivite por Chlamydia em recém-nascidos é a ausência de formação de folículos na conjuntiva. Isso ocorre devido à imaturidade do sistema linfoide conjuntival do neonato, que ainda não é capaz de montar uma resposta imune folicular. Em contraste, em adultos, a infecção por Chlamydia tipicamente causa conjuntivite folicular. A apresentação em neonatos é geralmente papilar, com secreção mucopurulenta. O diagnóstico diferencial é crucial, pois a conjuntivite gonocócica, causada por Neisseria gonorrhoeae, é uma emergência oftalmológica devido ao risco rápido de perfuração da córnea e cegueira. A profilaxia com eritromicina tópica é amplamente utilizada, embora o método de Credé (nitrato de prata) seja eficaz contra gonococo, mas não contra Chlamydia e pode causar conjuntivite química. O tratamento da conjuntivite por Chlamydia envolve eritromicina oral para o recém-nascido, a fim de tratar a infecção ocular e prevenir complicações sistêmicas como a pneumonia por Chlamydia.
Em adultos, a conjuntivite por Chlamydia é tipicamente folicular, devido à resposta imune madura. Em neonatos, devido à imaturidade do tecido linfoide conjuntival, a formação de folículos não ocorre, apresentando-se como conjuntivite papilar com secreção mucopurulenta.
A profilaxia da oftalmia neonatal é realizada com a instilação de eritromicina a 0,5% (pomada) nos olhos do recém-nascido, preferencialmente na primeira hora após o parto. O nitrato de prata a 1% (método de Credé) é eficaz contra Neisseria gonorrhoeae, mas não contra Chlamydia e pode causar conjuntivite química.
Os agentes etiológicos mais comuns da conjuntivite neonatal incluem Neisseria gonorrhoeae (mais grave, início precoce), Chlamydia trachomatis (início mais tardio, 5-14 dias), e bactérias da flora vaginal como Staphylococcus aureus, Streptococcus pneumoniae e Haemophilus influenzae.
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