UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2025
Analise as afirmativas a seguir sobre a conjuntivite por Chlamydia trachomatis em um recémnascido (RN). I) Metade dos pacientes com esse tipo de conjuntivite possuem infecção de nasofaringe associada. II) Um segundo ciclo de tratamento é necessário em 50% dos pacientes adequadamente tratados. III) O tratamento sistêmico com macrolídeos por via oral é preferido ao tópico. Pode-se afirmar que está(ão) correta(s) a(s) afirmativa(s):
Conjuntivite por Clamídia no RN → Tratamento SEMPRE sistêmico (Macrolídeos) para prevenir pneumonia.
A conjuntivite neonatal por Chlamydia requer tratamento oral com eritromicina ou azitromicina, pois o tratamento tópico não erradica o patógeno da nasofaringe nem previne a pneumonia.
A conjuntivite por Chlamydia trachomatis é a causa bacteriana mais comum de oftalmia neonatal em locais onde a profilaxia de Credé (nitrato de prata) é realizada, pois o nitrato de prata previne o gonococo, mas não a clamídia. A infecção é adquirida durante a passagem pelo canal de parto infectado. A associação com a infecção de nasofaringe é alta (cerca de 50%), justificando a necessidade de terapia sistêmica. Além disso, a falha terapêutica com um único ciclo de 14 dias de eritromicina pode ocorrer em até 20% dos casos, exigindo vigilância e, por vezes, um segundo curso de tratamento. O diagnóstico definitivo é feito preferencialmente por testes de amplificação de ácidos nucleicos (NAAT) ou cultura da secreção conjuntival (colhida por raspado, já que a clamídia é um parasita intracelular obrigatório).
A Chlamydia trachomatis coloniza não apenas a conjuntiva, mas também a nasofaringe e o trato respiratório do recém-nascido. O tratamento tópico com colírios ou pomadas pode melhorar os sintomas oculares, mas não consegue erradicar o microrganismo desses outros sítios. Sem o tratamento sistêmico, até 20% dos RNs com conjuntivite por clamídia desenvolverão pneumonia, que é classicamente afebril e apresenta tosse em 'staccato'.
O tratamento de escolha é a Eritromicina oral (50 mg/kg/dia divididos em 4 doses) por 14 dias. Alternativamente, a Azitromicina oral (20 mg/kg/dia, 1 dose ao dia por 3 dias) tem sido utilizada com sucesso. É importante monitorar o RN para o risco de Estenose Hipertrófica do Piloro, que está associada ao uso de macrolídeos (especialmente eritromicina) nas primeiras semanas de vida.
Diferente da conjuntivite gonocócica, que surge precocemente (2-5 dias de vida) e é muito purulenta, a conjuntivite por Chlamydia trachomatis costuma aparecer mais tarde, entre o 5º e o 14º dia de vida. O quadro varia de uma leve hiperemia conjuntival até um edema palpebral importante com secreção mucopurulenta e formação de pseudomembranas.
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