CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2009
Todos os pacientes representados nas fotos abaixo apresentam história clínica semelhante: comprometimento crônico de ambos os olhos, de aparecimento na infância, com formação recorrente das lesões mostradas, horas após sua remoção. Entre as alternativas abaixo, qual o diagnóstico mais provável?
Membranas recorrentes na infância + recorrência rápida → Conjuntivite Lenhosa (Deficiência de Plasminogênio).
A conjuntivite lenhosa é uma forma rara de conjuntivite crônica causada pela deficiência de plasminogênio tipo I, resultando em acúmulo de fibrina e membranas lenhosas.
A conjuntivite lenhosa é a manifestação ocular mais comum da deficiência congênita de plasminogênio. A fisiopatologia reside na incapacidade de lisar a fibrina extravasada durante episódios inflamatórios menores, resultando em depósitos subepiteliais massivos. Além dos olhos, os pacientes podem apresentar lesões em gengivas, trato respiratório e geniturinário. O diagnóstico diferencial inclui conjuntivite adenoviral grave, conjuntivite bacteriana (especialmente por Streptococcus pyogenes ou Corynebacterium diphtheriae) e queimaduras químicas. O diagnóstico definitivo é confirmado pela dosagem dos níveis de atividade do plasminogênio plasmático.
A conjuntivite lenhosa é caracterizada pela formação de membranas ou pseudomembranas espessas, de consistência endurecida (semelhante a madeira, daí o nome), que se desenvolvem principalmente na conjuntiva tarsal. O quadro inicia-se geralmente na infância e apresenta uma característica marcante: após a remoção mecânica das membranas, elas tendem a recorrer rapidamente, muitas vezes em questão de horas ou poucos dias.
A doença é causada por uma deficiência autossômica recessiva de plasminogênio (Tipo I). O plasminogênio é o precursor da plasmina, enzima responsável pela degradação da fibrina. Sem plasmina funcional, o processo de fibrinólise é prejudicado, levando ao acúmulo excessivo de fibrina após pequenos traumas ou inflamações, formando as lesões características não só nos olhos, mas também em outras mucosas.
O tratamento é desafiador. A remoção cirúrgica isolada é contraindicada pois estimula nova formação de fibrina. O manejo envolve o uso de plasminogênio tópico ou sistêmico (quando disponível), além de agentes fibrinolíticos como a heparina tópica e corticoides para reduzir a inflamação. Recentemente, o concentrado de plasminogênio humano purificado tem mostrado excelentes resultados.
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