CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2012
Paciente do sexo feminino, 26 anos de idade e história de dermatite atópica, refere há duas semanas quadro de secreção mucopurulenta em ambos os olhos e dor para urinar, após viagem ao litoral nesse período. Apresenta também linfoadenopatia pré-auricular. O exame laboratorial obtido do raspado conjuntival e que confirmou a hipótese clínica está demonstrado abaixo das fotos da biomicroscopia. É correto afirmar:
Conjuntivite mucopurulenta crônica + linfonodo pré-auricular + sintomas genitais → Chlamydia trachomatis.
A conjuntivite de inclusão do adulto é uma IST causada pela Chlamydia trachomatis. Suspeite sempre em quadros oculares persistentes associados a sintomas urinários ou linfadenopatia pré-auricular.
A conjuntivite de inclusão do adulto é uma manifestação ocular de uma infecção urogenital por Chlamydia trachomatis. O quadro clínico típico envolve uma conjuntivite folicular crônica que não responde aos antibióticos tópicos convencionais. A tríade clássica de secreção mucopurulenta, linfadenopatia pré-auricular e sintomas genitais (como disúria ou corrimento) em um adulto jovem sexualmente ativo é altamente sugestiva. O diagnóstico laboratorial é realizado através do raspado conjuntival para pesquisa de corpúsculos de inclusão (historicamente via coloração de Giemsa) ou, mais modernamente, por testes de amplificação de ácidos nucleicos (NAAT) ou imunofluorescência direta. É essencial diferenciar esta condição da conjuntivite viral por adenovírus, que também apresenta linfonodo pré-auricular, mas geralmente tem um início mais agudo e secreção serosa. O tratamento sistêmico é obrigatório para prevenir a cronicidade e a transmissão.
A conjuntivite de inclusão do adulto é causada pela bactéria intracelular obrigatória Chlamydia trachomatis, especificamente pelos sorotipos D a K. É considerada uma infecção sexualmente transmitida (IST), ocorrendo geralmente por autoinoculação a partir de secreções genitais infectadas. Diferente da conjuntivite bacteriana aguda comum, ela tende a ser subaguda ou crônica, persistindo por semanas. O quadro clínico é marcado por uma reação folicular na conjuntiva tarsal inferior, secreção mucopurulenta e linfadenopatia pré-auricular. O reconhecimento dessa etiologia é crucial, pois o tratamento apenas com colírios antibióticos comuns é ineficaz para erradicar o reservatório sistêmico da bactéria.
O tratamento da conjuntivite por clamídia deve ser obrigatoriamente sistêmico, pois a infecção ocular é apenas uma manifestação de uma infecção urogenital subjacente, mesmo que assintomática. O esquema de primeira linha é a Azitromicina 1g por via oral em dose única. Alternativamente, pode-se utilizar a Doxiciclina 100mg duas vezes ao dia por 7 dias. O tratamento tópico com pomadas de tetraciclina ou eritromicina pode ser adjuvante, mas não substitui a terapia oral. Além disso, é fundamental tratar os parceiros sexuais e realizar o rastreio para outras ISTs, como gonorreia e sífilis, devido à alta taxa de coinfecção.
A presença de linfadenopatia pré-auricular é um sinal clínico valioso no diagnóstico diferencial das conjuntivites. Ela é característica de processos virais (como o adenovírus) e de infecções por clamídia, sendo raramente encontrada em conjuntivites bacterianas estafilocócicas ou estreptocócicas típicas. Na conjuntivite de inclusão, o linfonodo costuma ser pequeno, móvel e levemente doloroso à palpação. Quando associado a uma história de sintomas urinários (disúria, corrimento uretral) ou exposição sexual recente, a suspeita de clamídia torna-se a principal hipótese diagnóstica, diferenciando-a da síndrome oculoglandular de Parinaud.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo