CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2024
Com relação às conjuntivites, é correto afirmar:
Clamídia ocular = Conjuntivite folicular crônica, unilateral e persistente.
A conjuntivite de inclusão do adulto por Chlamydia trachomatis apresenta-se tipicamente como um quadro folicular crônico, muitas vezes unilateral, associado a infecção urogenital concomitante.
As conjuntivites infecciosas exigem um diagnóstico diferencial preciso baseado na morfologia da reação conjuntival (folicular vs papilar) e na cronicidade. A conjuntivite de inclusão do adulto, causada pelos sorotipos D a K da Chlamydia trachomatis, é uma causa importante de 'olho vermelho crônico' no jovem sexualmente ativo. A persistência de folículos por mais de 3 semanas deve sempre levantar a suspeita de clamídia. Por outro lado, as conjuntivites virais por adenovírus são as causas mais comuns de conjuntivite folicular aguda. A distinção entre os tipos de adenovírus e a observação de sinais como vesículas palpebrais (sugestivas de Herpes Simples) são cruciais para o manejo correto. No caso da conjuntivite papilar gigante, embora associada a lentes de contato, ela pode ocorrer com qualquer corpo estranho crônico, mas a relação com fios de sutura específicos como o Vicryl não é a causa mais frequente descrita.
O paciente geralmente apresenta uma conjuntivite folicular subaguda ou crônica que não responde aos antibióticos tópicos convencionais. É frequentemente unilateral. Os sinais incluem folículos grandes, mais proeminentes no fórnice inferior, linfadenopatia pré-auricular ipsilateral ipsilateral e, em casos prolongados, ceratite ponteada superior ou infiltrados marginais. Por ser uma infecção sexualmente transmissível, é comum haver história de sintomas urogenitais (uretrite ou cervicite), embora muitos pacientes sejam assintomáticos do ponto de vista sistêmico.
Ambas são causadas por adenovírus, mas a Febre Faringoconjuntival (FFC) está associada aos sorotipos 3, 4 e 7, apresentando-se com febre, faringite e conjuntivite folicular, sendo mais comum em crianças. Já a Ceratoconjuntivite Epidêmica (CCE) é causada pelos sorotipos 8, 19 e 37, é mais grave, altamente contagiosa e frequentemente evolui com infiltrados subepiteliais corneanos que podem persistir por meses e afetar a visão. A CCE geralmente não apresenta os sintomas sistêmicos de febre e dor de garganta da FFC.
O tratamento deve ser obrigatoriamente sistêmico, pois a infecção ocular é apenas uma manifestação de uma infecção de mucosas mais ampla. O esquema de escolha é a Azitromicina 1g por via oral em dose única. Alternativamente, pode-se usar Doxiciclina 100mg duas vezes ao dia por 7 a 14 dias. É fundamental tratar também os parceiros sexuais para evitar a reinfecção e realizar o rastreio de outras ISTs. O uso de antibióticos tópicos isolados é ineficaz para a cura definitiva.
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