CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2022
Com relação à conjuntivite de inclusão causada pela Chlamydia trachomatis, é correto afirmar:
Conjuntivite folicular crônica + linfonodo pré-auricular em jovem → Pensar em Clamídia (Inclusão).
A conjuntivite de inclusão do adulto é uma infecção sexualmente transmissível causada pelos sorotipos D-K da Chlamydia trachomatis. Apresenta-se como uma conjuntivite folicular subaguda que não responde a antibióticos tópicos comuns.
A Chlamydia trachomatis é uma bactéria intracelular obrigatória. Os sorotipos D a K são responsáveis pela conjuntivite de inclusão e infecções urogenitais, enquanto os sorotipos A, B e C causam o tracoma endêmico. Na conjuntivite de inclusão, o quadro clínico típico envolve hiperemia conjuntival, quemose e uma reação folicular exuberante, predominantemente no tarso inferior. O diagnóstico pode ser clínico, mas a confirmação laboratorial via PCR de swab conjuntival é altamente sensível e específica. Citologia de Giemsa pode mostrar corpos de inclusão basofílicos intracitoplasmáticos em células epiteliais, embora tenha baixa sensibilidade. O tratamento tópico isolado é ineficaz para erradicar o reservatório genital, tornando a terapia sistêmica obrigatória.
Embora ambas apresentem reação folicular e linfonodo pré-auricular, a conjuntivite viral (geralmente por Adenovírus) é aguda e autolimitada (1-3 semanas). A conjuntivite de inclusão por Clamídia é subaguda ou crônica, persistindo por semanas ou meses se não tratada. Além disso, a Clamídia frequentemente apresenta secreção mucopurulenta e folículos mais proeminentes no fórnice inferior, enquanto o Adenovírus tende a ser mais seroso e associado a ceratite puntata precoce.
A transmissão ocorre principalmente através da inoculação direta de secreções genitais infectadas nos olhos (contato mão-olho) ou através de contato sexual orogenital. É considerada uma doença sexualmente transmissível (DST). Em recém-nascidos, a transmissão ocorre durante a passagem pelo canal do parto infectado, manifestando-se como oftalmia neonatal entre o 5º e 14º dia de vida.
O tratamento deve ser sistêmico, pois a infecção ocular é apenas uma manifestação de uma colonização de mucosas (urogenital, nasofaríngea). A primeira escolha é a Azitromicina 1g por via oral em dose única. Alternativamente, pode-se usar Doxiciclina 100mg 12/12h por 7 dias. É imperativo tratar os parceiros sexuais para evitar a reinfecção (efeito 'pingue-pongue') e realizar triagem para outras DSTs.
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