CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2023
Paciente do sexo masculino, com 21 anos comparece ao pronto socorro referindo vermelhidão e irritação do olho direito há seis semanas. Contou que após uma semana do início do quadro clínico, procurou atendimento médico no qual foi prescrito colírio antibiótico (quatro vezes ao dia, durante 10 dias), no entanto, sem melhora. Há dois dias o olho esquerdo também passou a ficar irritado, hiperemiado e a apresentar secreção mucoide amarelada. O exame ocular evidenciou ceratite ponteada discreta e conjuntivite folicular nos dois olhos. Qual aspecto da história pregressa é o mais relevante para a determinação diagnóstica?
Conjuntivite folicular unilateral que se torna bilateral e não responde a colírios comuns → Pensar em Clamídia.
A conjuntivite de inclusão por Chlamydia trachomatis é uma causa comum de conjuntivite folicular crônica em adultos jovens, frequentemente associada a infecções urogenitais silenciosas.
O quadro clínico descrito — paciente jovem, conjuntivite folicular que não responde a antibióticos tópicos comuns, evolução de 6 semanas e início unilateral que evolui para bilateral — é patognomônico da conjuntivite de inclusão do adulto. A investigação de sintomas urogenitais (uretrite no homem, cervicite na mulher) é mandatória. O diagnóstico pode ser confirmado por testes de amplificação de ácidos nucleicos (NAAT) em raspado conjuntival. O tratamento de escolha é a Azitromicina 1g em dose única oral ou Doxiciclina 100mg 12/12h por 7 a 10 dias. É fundamental tratar os parceiros sexuais para evitar a reinfecção.
Apresenta-se tipicamente como uma conjuntivite folicular crônica (duração > 3 semanas), com folículos mais proeminentes no fórnice inferior. Pode haver secreção mucopurulenta, ceratite ponteada superior, infiltrados subepiteliais marginais e linfadenopatia pré-auricular ipsilateral.
A Chlamydia trachomatis (sorotipos D a K) é o agente etiológico. Em adultos, a infecção ocular ocorre por autoinoculação a partir de secreções genitais infectadas. Cerca de 50-70% dos pacientes com conjuntivite de inclusão apresentam infecção urogenital concomitante, muitas vezes assintomática.
A conjuntivite viral (adenovírus) costuma ser aguda e autolimitada (1-2 semanas). A conjuntivite por clamídia persiste por semanas ou meses se não tratada com antibióticos sistêmicos específicos, apresentando uma evolução muito mais arrastada.
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