Conjuntivite Bacteriana Hiperaguda: Diagnóstico e Riscos

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2014

Enunciado

Com relação às conjuntivites bacterianas hiperagudas, é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) A Neisseria meningitidis é o principal agente etiológico.
  2. B) Quando há comprometimento da córnea, o tratamento ideal é realizado com dose única de 1 g de ceftriaxona administrada pela via intramuscular.
  3. C) Todos os pacientes apresentam infecção concomitante pela Chlamydia.
  4. D) A pesquisa laboratorial do agente etiológico é obrigatória.

Pérola Clínica

Conjuntivite hiperaguda (Gonococo) → Obrigatório Gram e Cultura + Risco de perfuração corneana.

Resumo-Chave

A conjuntivite hiperaguda, causada principalmente pela Neisseria gonorrhoeae, exige diagnóstico laboratorial imediato devido ao seu potencial destrutivo sobre a córnea.

Contexto Educacional

A conjuntivite bacteriana hiperaguda é uma emergência oftalmológica. Caracteriza-se por um início explosivo de edema palpebral severo, quemose conjuntival e uma secreção purulenta extremamente abundante ('jorra' pus ao abrir as pálpebras). A Neisseria gonorrhoeae é notável por sua capacidade de invadir o estroma corneano mesmo sem lesão prévia, podendo levar à perfuração ocular em menos de 24 horas. O manejo clínico exige uma abordagem sistêmica, pois a bactéria pode se disseminar. Além do tratamento do paciente, é imperativo investigar e tratar parceiros sexuais e pesquisar outras ISTs concomitantes, como a clamídia, embora a coinfecção não ocorra em 100% dos casos.

Perguntas Frequentes

Qual o principal agente da conjuntivite hiperaguda?

O principal agente etiológico é a Neisseria gonorrhoeae. Embora a Neisseria meningitidis também possa causar quadros semelhantes, a origem gonocócica é muito mais frequente, geralmente por autoinoculação a partir de uma infecção genital. É a única bactéria comum capaz de penetrar o epitélio corneano íntegro.

Por que a pesquisa laboratorial é obrigatória?

Devido à gravidade do quadro e à necessidade de diferenciar entre gonococo e meningococo, além de guiar a terapia antibiótica. O raspado conjuntival para coloração de Gram (revelando diplococos Gram-negativos intracelulares) e cultura em meios específicos (como Thayer-Martin) permite o diagnóstico definitivo e o teste de sensibilidade.

Como deve ser o tratamento se houver lesão de córnea?

Se houver comprometimento corneano, o tratamento deve ser agressivo e hospitalar. A dose única de 1g de ceftriaxona IM é insuficiente; recomenda-se ceftriaxona 1g IV a cada 12-24 horas por 3 a 5 dias, associada a lavagens frequentes com soro fisiológico e antibióticos tópicos (como fluoroquinolonas de 4ª geração) para reduzir a carga bacteriana e as enzimas colagenases.

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