INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2024
Um recém-nascido, com peso de nascimento de 2.900 g, nascido a termo e de parto vaginal, é levado à primeira consulta pós-natal na unidade básica de saúde com 10 dias de vida. Durante a consulta, observa-se abundante quantidade de secreção purulenta em ambos os olhos da criança e, segundo a mãe, essa secreção teve início há 2 dias, formando-se rapidamente, mesmo após a limpeza. O paciente apresenta, também, hiperemia ocular e edema bipalpebral. Sabe-se que a mãe iniciou tardiamente o pré-natal e fez acompanhamento irregular, e ela refere que, atualmente, está apresentando leucorreia purulenta. O médico, então, solicita swab da secreção, cujo resultado chegará em até 5 dias.Com base nessas informações, quais são, respectivamente, o diagnóstico da doença da criança e a conduta médica adequada para o caso?
Conjuntivite neonatal purulenta + mãe com DST → Gonocócica até prova em contrário. Iniciar Ceftriaxona IM urgente para evitar cegueira.
A conjuntivite gonocócica neonatal é uma emergência oftalmológica devido ao rápido risco de perfuração da córnea e cegueira. A suspeita clínica é alta em recém-nascidos com secreção purulenta abundante e história materna de infecção sexualmente transmissível (IST), exigindo tratamento empírico imediato com ceftriaxona sistêmica.
A conjuntivite neonatal, ou oftalmia neonatorum, é uma inflamação da conjuntiva que ocorre nos primeiros 30 dias de vida. A etiologia mais grave é a gonocócica, causada pela Neisseria gonorrhoeae, adquirida durante a passagem pelo canal de parto infectado. Sua incidência varia, mas é maior em populações com alta prevalência de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) não tratadas na gestante. A importância clínica reside no alto risco de complicações oculares graves, incluindo cegueira, se não tratada adequadamente e de forma urgente. O diagnóstico da conjuntivite gonocócica é primariamente clínico, baseado na apresentação de secreção purulenta abundante, hiperemia e edema bipalpebral, com início geralmente entre o 2º e o 5º dia de vida. A história materna de leucorreia purulenta ou pré-natal inadequado reforça a suspeita. Embora o swab para cultura e Gram seja fundamental para confirmação, o tratamento não deve ser postergado. A fisiopatologia envolve a rápida proliferação bacteriana na conjuntiva, com potencial de invasão tecidual. O tratamento da conjuntivite gonocócica neonatal é uma emergência e consiste na administração de ceftriaxona intramuscular em dose única, devido à sua eficácia e penetração tecidual. A limpeza ocular frequente também é importante. O prognóstico é bom com tratamento precoce, mas atrasos podem resultar em sequelas visuais permanentes. É crucial também tratar a mãe e seus parceiros para prevenir reinfecções e disseminação da doença.
Os sinais de alerta incluem secreção purulenta abundante e bilateral nos olhos do recém-nascido, hiperemia e edema bipalpebral, com início rápido nos primeiros dias de vida. A história materna de infecção sexualmente transmissível (IST) ou pré-natal irregular aumenta a suspeita.
A conduta inicial é o tratamento empírico imediato com ceftriaxona intramuscular (IM) em dose única, mesmo antes da confirmação laboratorial. Além disso, é importante realizar a limpeza ocular e, em alguns casos, colírios antibióticos podem ser associados, embora a terapia sistêmica seja crucial.
É uma emergência devido ao rápido potencial de invasão da córnea pela Neisseria gonorrhoeae, podendo levar à perfuração ocular, endoftalmite e cegueira permanente se o tratamento não for iniciado prontamente. O risco de disseminação sistêmica também existe.
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