Conjuntivite Gonocócica: Diagnóstico e Conduta Sistêmica

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2016

Enunciado

Com relação à conjuntivite gonocócica, é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) O tratamento deve ser realizado com medicamentos de uso tópico e sistêmico
  2. B) Casos que evoluem com perfuração ocular devem ser tratados com ceftriaxone pela via intramuscular, em dose única
  3. C) O tratamento da conjuntivite neonatal sem acometimento da córnea deve ser realizado com colírio de nitrato de prata a 1%, prescrito quatro vezes ao dia, durante pelo menos uma semana
  4. D) A conjuntivite, quando não tratada, evolui sempre para ceratite, após uma semana

Pérola Clínica

Conjuntivite gonocócica = Emergência oftalmológica → Tratamento sistêmico + tópico obrigatórios.

Resumo-Chave

A infecção por N. gonorrhoeae é altamente agressiva e pode perfurar a córnea íntegra em menos de 24 horas. O tratamento deve ser bimodal (sistêmico e tópico) para garantir a erradicação do patógeno e prevenir cegueira.

Contexto Educacional

A conjuntivite gonocócica é uma forma hiperaguda de conjuntivite bacteriana caracterizada por secreção purulenta profusa, quemose acentuada e dor intensa. Diferente de outras bactérias, o gonococo possui enzimas proteolíticas que permitem a penetração no estroma corneano mesmo sem lesão prévia, o que a torna uma verdadeira emergência oftalmológica. O manejo exige vigilância rigorosa e abordagem multidisciplinar. Na prática clínica, o tratamento sistêmico é o pilar fundamental, pois o microrganismo pode colonizar mucosas adjacentes e o trato geniturinário. A escolha da Ceftriaxona baseia-se na alta resistência da Neisseria às penicilinas e quinolonas. O acompanhamento deve ser diário até a estabilização do quadro clínico, com foco total na integridade da córnea.

Perguntas Frequentes

Qual o esquema de tratamento para conjuntivite gonocócica no adulto?

O tratamento padrão envolve a administração de Ceftriaxona 1g por via intramuscular em dose única, associada ao tratamento tópico com irrigação salina frequente e antibióticos tópicos (como bacitracina ou eritromicina). É fundamental também tratar possíveis coinfecções, como a clamídia, utilizando Azitromicina 1g via oral. A avaliação do parceiro sexual é obrigatória para interromper a cadeia de transmissão. Em casos de comprometimento corneano, a internação para antibioticoterapia endovenosa pode ser necessária devido à gravidade e rapidez da progressão da lise estromal causada pelas proteases da bactéria.

Como prevenir a oftalmia neonatal gonocócica?

A prevenção é realizada rotineiramente na sala de parto através do Método de Credé, que consiste na instilação de uma gota de nitrato de prata a 1% em cada olho do recém-nascido. Embora o nitrato de prata seja eficaz contra o gonococo, ele pode causar conjuntivite química. Alternativas modernas incluem a pomada de eritromicina a 0,5% ou tetraciclina a 1%, que são melhor toleradas. A profilaxia deve ser feita o mais rápido possível após o nascimento, preferencialmente na primeira hora de vida, sendo uma medida de saúde pública essencial para evitar a cegueira infantil.

Quais as complicações da conjuntivite gonocócica não tratada?

A complicação mais temida é a ceratite gonocócica, que evolui rapidamente para ulceração e perfuração corneana devido à capacidade única da Neisseria gonorrhoeae de invadir o epitélio corneano íntegro. Além disso, pode ocorrer endoftalmite após a perfuração, levando à perda funcional e anatômica do globo ocular. Sistemicamente, a infecção pode evoluir para a forma disseminada, resultando em artrite séptica, meningite ou sepse, especialmente em neonatos. O diagnóstico precoce via bacterioscopia (Gram com diplococos intracelulares) e cultura em meio Thayer-Martin é crucial.

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