CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2006
O achado de diplococos Gram-negativos intracelulares no raspado conjuntival de um paciente com conjuntivite e secreção purulenta sugere o diagnóstico etiológico de:
Diplococos Gram-negativos intracelulares em secreção ocular → Neisseria.
A conjuntivite por Neisseria é uma emergência oftalmológica hiperaguda que pode perfurar a córnea em menos de 24 horas se não tratada sistemicamente.
A conjuntivite bacteriana hiperaguda é definida pelo início súbito e produção massiva de secreção purulenta. A Neisseria gonorrhoeae é o agente etiológico mais temido. Diferente das conjuntivites bacterianas comuns (Staphylococcus, Streptococcus), a gonocócica requer obrigatoriamente investigação de outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) e tratamento dos parceiros sexuais. Em recém-nascidos, a oftalmia neonatal por gonococo ocorre nos primeiros 2 a 5 dias de vida e é prevenida rotineiramente pela profilaxia de Credé (atualmente utilizando-se mais frequentemente pomada de eritromicina ou tetraciclina). O reconhecimento rápido dos diplococos Gram-negativos intracelulares é um passo crítico para evitar a cegueira por leucoma corneano ou perfuração ocular.
A Neisseria gonorrhoeae é um dos poucos patógenos bacterianos capazes de invadir um epitélio corneano íntegro. Ela possui enzimas proteolíticas que podem causar ulceração e perfuração da córnea de forma extremamente rápida (em 24 a 48 horas). Além disso, a secreção é tipicamente hiperaguda e profusa, exigindo intervenção imediata para salvar a visão do paciente.
O achado patognomônico no raspado conjuntival corado pelo método de Gram é a presença de diplococos Gram-negativos (em formato de 'rim' ou 'grão de café') localizados dentro do citoplasma de polimorfonucleares (intracelulares). Este achado permite o diagnóstico presuntivo imediato e o início do tratamento específico antes mesmo do resultado da cultura em meio Thayer-Martin.
O tratamento deve ser sistêmico, pois o microrganismo pode estar presente em outros sítios (uretra, orofaringe) e a penetração ocular de antibióticos tópicos é insuficiente para casos graves. O esquema de escolha é a Ceftriaxona 1g IM em dose única (para adultos sem comprometimento corneano). Se houver envolvimento da córnea, a hospitalização e doses maiores de antibióticos venosos são indicadas. Lavagens oculares frequentes com soro fisiológico também são recomendadas.
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