Conjuntivite Alérgica: Diagnóstico e Manejo na APS

HSL PUCRS - Hospital São Lucas da PUCRS (RS) — Prova 2023

Enunciado

Homem, 27 anos, engenheiro químico, consulta sua médica de família referindo que há 5 dias apresenta hiperemia conjuntival no olho esquerdo, com presença de lacrimejamento e secreção serosa, com filamentos de muco, além de prurido ocular associado. Nega diminuição da visão. Refere que os sintomas iniciaram após manusear produto com odor forte, no seu local de trabalho. Diante do quadro clínico acima, qual é a conduta a ser tomada?

Alternativas

  1. A) Compressa gelada de solução fisiológica 0,9% e, se não melhorar em 5 dias, referenciar ao oftalmologista.
  2. B) Compressa gelada com solução fisiológica 0,9% e colírio de cromoglicatodissódico.
  3. C) Limpeza com soro fisiológico 0,9% e colírio de prednisolona 1%.
  4. D) Limpeza com soro fisiológico 0,9% e colírio de ciprofloxina.

Pérola Clínica

Conjuntivite alérgica: prurido ocular + lacrimejamento + secreção serosa → compressa fria + estabilizador de mastócitos (cromoglicato).

Resumo-Chave

O quadro clínico de hiperemia conjuntival, lacrimejamento, secreção serosa com filamentos de muco e prurido ocular, especialmente após exposição a irritante, é altamente sugestivo de conjuntivite alérgica. A conduta inicial inclui medidas não farmacológicas como compressas geladas para alívio sintomático e o uso de colírios estabilizadores de mastócitos, como o cromoglicato dissódico, para controlar a resposta alérgica. Antibióticos e corticoides tópicos não são a primeira linha de tratamento e devem ser usados com cautela.

Contexto Educacional

A conjuntivite alérgica é uma inflamação da conjuntiva causada por uma reação de hipersensibilidade tipo I a alérgenos ambientais ou irritantes químicos, sendo uma das causas mais comuns de olho vermelho na atenção primária. Sua prevalência é alta, afetando uma parcela significativa da população, especialmente em regiões com alta exposição a pólen ou outros alérgenos. A fisiopatologia envolve a liberação de histamina e outros mediadores inflamatórios pelos mastócitos na conjuntiva, resultando em prurido, hiperemia e edema. O diagnóstico é clínico, baseado na história de exposição e nos sintomas característicos, como prurido intenso e lacrimejamento. É crucial diferenciar da conjuntivite bacteriana (secreção purulenta) e viral (adenopatia pré-auricular, quadro gripal). O tratamento visa aliviar os sintomas e controlar a resposta alérgica. Medidas não farmacológicas incluem compressas frias e evitar o alérgeno. Farmacologicamente, colírios estabilizadores de mastócitos (como cromoglicato dissódico) ou anti-histamínicos tópicos são a primeira escolha. Corticoides tópicos são reservados para casos graves e sob supervisão oftalmológica devido aos riscos.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da conjuntivite alérgica?

Os sintomas incluem prurido ocular intenso, hiperemia conjuntival, lacrimejamento, edema palpebral e secreção serosa ou com filamentos de muco, frequentemente bilateral e sazonal ou desencadeada por alérgenos.

Qual o tratamento de primeira linha para conjuntivite alérgica?

O tratamento inicial envolve compressas frias para alívio sintomático e colírios com estabilizadores de mastócitos (ex: cromoglicato dissódico) ou anti-histamínicos tópicos, que atuam prevenindo a liberação de mediadores inflamatórios.

Quando devo encaminhar um paciente com conjuntivite ao oftalmologista?

O encaminhamento é indicado se houver dor ocular intensa, diminuição da acuidade visual, fotofobia, suspeita de ceratite, conjuntivite persistente ou refratária ao tratamento inicial, ou suspeita de outras condições oculares graves.

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