Conjuntivite Adenoviral: Uso de Corticoides e Manejo

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2022

Enunciado

Com relação às conjuntivites adenovirais, é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) A remoção de pseudomembranas está associada a maior risco de formação de simbléfaro e por isso deve ser evitada.
  2. B) Uso de corticosteroides tópicos de baixa concentração está indicado para prevenção do aparecimento de pseudomembranas, e por isso, eles são prescritos logo após o início dos sintomas.
  3. C) Corticosteroides tópicos, utilizados na fase aguda, favorecem replicação viral com aumento da carga viral na superfície ocular.
  4. D) Estudos controlados demonstraram eficácia do uso do cetorolaco 0,5% na fase aguda da conjuntivite para alívio dos sintomas, com redução da duração do período de contágio, em comparação ao uso de colírios lubrificantes.

Pérola Clínica

Corticoide na fase aguda da conjuntivite adenoviral → ↑ replicação e carga viral na superfície.

Resumo-Chave

O uso de corticosteroides na fase inicial da conjuntivite adenoviral é contraindicado por favorecer a replicação viral, devendo ser reservado para complicações como pseudomembranas ou ceratite subepitelial.

Contexto Educacional

A conjuntivite adenoviral é uma das causas mais comuns de conjuntivite infecciosa, frequentemente apresentando-se como ceratoconjuntivite epidêmica. A fisiopatologia envolve a invasão do epitélio conjuntival pelo adenovírus, desencadeando uma resposta inflamatória robusta. Clinicamente, o manejo foca no controle da transmissão e alívio sintomático. A distinção entre a fase de replicação viral e a fase de resposta imune (infiltrados) é crucial para a decisão terapêutica. O uso inadvertido de corticoides pode exacerbar a carga viral, enquanto sua omissão em casos de membranas graves pode levar a sequelas cicatriciais permanentes.

Perguntas Frequentes

Por que evitar corticoides na fase aguda da conjuntivite adenoviral?

Na fase aguda da conjuntivite adenoviral, o uso de corticosteroides tópicos pode suprimir a resposta imune local necessária para combater o vírus, resultando em um aumento da replicação viral e da carga viral na superfície ocular. Isso não apenas prolonga o curso da doença, mas também aumenta o período em que o paciente é contagioso para outras pessoas. O uso deve ser criteriosamente reservado para casos com formação de pseudomembranas ou quando surgem infiltrados subepiteliais (ceratite numular) que comprometem a visão na fase tardia.

Como devem ser tratadas as pseudomembranas na conjuntivite por adenovírus?

As pseudomembranas são acúmulos de fibrina e detritos inflamatórios na conjuntiva tarsal. Elas devem ser removidas mecanicamente em consultório para prevenir a formação de simbléfaro (aderência entre a conjuntiva palpebral e bulbar) e cicatrizes conjuntivais. Após a remoção, o uso de corticoide tópico pode ser indicado para controlar a inflamação intensa que gerou a membrana, mas sempre pesando o risco de replicação viral se ainda estiver na fase inicial.

Qual a eficácia dos AINEs como o cetorolaco na conjuntivite adenoviral?

Estudos mostram que anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) tópicos, como o cetorolaco 0,5%, não apresentam superioridade significativa em relação aos lubrificantes artificiais no alívio dos sintomas ou na redução da duração da conjuntivite adenoviral. O tratamento padrão permanece sendo o suporte com compressas geladas e lubrificantes, além de medidas rigorosas de higiene para evitar a transmissão.

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