CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2022
Com relação às conjuntivites adenovirais, é correto afirmar:
Corticoide na fase aguda da conjuntivite adenoviral → ↑ replicação e carga viral na superfície.
O uso de corticosteroides na fase inicial da conjuntivite adenoviral é contraindicado por favorecer a replicação viral, devendo ser reservado para complicações como pseudomembranas ou ceratite subepitelial.
A conjuntivite adenoviral é uma das causas mais comuns de conjuntivite infecciosa, frequentemente apresentando-se como ceratoconjuntivite epidêmica. A fisiopatologia envolve a invasão do epitélio conjuntival pelo adenovírus, desencadeando uma resposta inflamatória robusta. Clinicamente, o manejo foca no controle da transmissão e alívio sintomático. A distinção entre a fase de replicação viral e a fase de resposta imune (infiltrados) é crucial para a decisão terapêutica. O uso inadvertido de corticoides pode exacerbar a carga viral, enquanto sua omissão em casos de membranas graves pode levar a sequelas cicatriciais permanentes.
Na fase aguda da conjuntivite adenoviral, o uso de corticosteroides tópicos pode suprimir a resposta imune local necessária para combater o vírus, resultando em um aumento da replicação viral e da carga viral na superfície ocular. Isso não apenas prolonga o curso da doença, mas também aumenta o período em que o paciente é contagioso para outras pessoas. O uso deve ser criteriosamente reservado para casos com formação de pseudomembranas ou quando surgem infiltrados subepiteliais (ceratite numular) que comprometem a visão na fase tardia.
As pseudomembranas são acúmulos de fibrina e detritos inflamatórios na conjuntiva tarsal. Elas devem ser removidas mecanicamente em consultório para prevenir a formação de simbléfaro (aderência entre a conjuntiva palpebral e bulbar) e cicatrizes conjuntivais. Após a remoção, o uso de corticoide tópico pode ser indicado para controlar a inflamação intensa que gerou a membrana, mas sempre pesando o risco de replicação viral se ainda estiver na fase inicial.
Estudos mostram que anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) tópicos, como o cetorolaco 0,5%, não apresentam superioridade significativa em relação aos lubrificantes artificiais no alívio dos sintomas ou na redução da duração da conjuntivite adenoviral. O tratamento padrão permanece sendo o suporte com compressas geladas e lubrificantes, além de medidas rigorosas de higiene para evitar a transmissão.
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