Conização do Colo Uterino: Indicações e Manejo do HSIL

PSU-AL - Processo Seletivo Unificado de Alagoas — Prova 2024

Enunciado

Em uma comunidade rural brasileira, foi identificado um aumento na incidência de casos de câncer de colo uterino. A maioria das mulheres afetadas tem entre 30 e 50 anos de idade e não realizava exames preventivos regularmente Muitas dessas mulheres possuem baixo nível de educação e acesso limitado a informações sobre saúde.Entre os seguintes critérios, o que mais direciona o encaminhamento de uma paciente para ressecção em cone (conização) do colo uterino é:

Alternativas

  1. A) Diagnóstico de lesão intraepitelial escamosa de baixo grau (LSIL) confirmado por biópsia.
  2. B) Presença de lesão intraepitelial escamosa de alto grau (HSIL) confirmada em biópsia, visando preservar a fertilidade.
  3. C) Neoplasia epitelial escamosa visível, em estágio IB, menor que 4cm, limitado ao colo uterino, sem envolvimento vaginal.
  4. D) Alto risco de câncer devido à história familiar de câncer de colo uterino, com Papanicolau com LSIL.

Pérola Clínica

HSIL em biópsia → Conização (diagnóstica e terapêutica) para excluir invasão e tratar lesão precursora.

Resumo-Chave

A conização é indicada em casos de HSIL (NIC 2/3) confirmados por biópsia, servindo tanto para diagnóstico definitivo quanto para tratamento, especialmente quando se deseja preservar a fertilidade.

Contexto Educacional

O câncer de colo uterino permanece um desafio de saúde pública no Brasil, especialmente em áreas rurais com baixo acesso ao rastreamento citopatológico. O objetivo do rastreamento é identificar lesões precursoras como o HSIL antes da progressão para carcinoma invasor. Uma vez identificado o HSIL na biópsia dirigida por colposcopia, a conduta padrão é a exérese da zona de transformação. A conização permite não apenas o tratamento da lesão precursora, mas também a análise de toda a peça cirúrgica para excluir focos de microinvasão (estádio IA1), o que não é possível apenas com a biópsia incisional. Em pacientes jovens, a preservação da fertilidade é um pilar central, tornando procedimentos excisionais conservadores preferíveis à histerectomia radical em estágios iniciais.

Perguntas Frequentes

Quando indicar conização no HSIL?

A conização é indicada quando há diagnóstico histológico de NIC 2 ou NIC 3 (HSIL). O procedimento visa a exérese da zona de transformação e da lesão, permitindo a avaliação histopatológica completa para descartar carcinoma invasor. É fundamental em casos de colposcopia insatisfatória (junção escamocolunar não visível) ou quando a citologia sugere lesão mais grave que a biópsia dirigida. Além de tratar a lesão precursora, a conização funciona como uma biópsia ampliada, sendo o padrão-ouro para o diagnóstico de microinvasão.

Qual a diferença entre CAF e Conização a frio?

A Cirurgia de Alta Frequência (CAF) utiliza alças eletrocirúrgicas para remover a zona de transformação, sendo um procedimento ambulatorial, mais rápido e com menos complicações hemorrágicas. Já a conização a frio (com bisturi frio) é realizada em centro cirúrgico sob anestesia, sendo geralmente indicada para lesões muito extensas, suspeita de adenocarcinoma in situ ou quando se deseja margens cirúrgicas sem artefatos térmicos para uma análise histopatológica mais precisa da profundidade de invasão.

Como proceder se a margem da conização vier comprometida?

Se as margens estiverem comprometidas por NIC 2/3, o seguimento citológico e colposcópico rigoroso em 6 meses é uma opção aceitável em pacientes jovens que desejam gestar. No entanto, em mulheres com prole constituída ou quando há suspeita de doença residual extensa, a reconização ou mesmo a histerectomia podem ser discutidas. O manejo depende da idade da paciente, do desejo reprodutivo e da localização da margem comprometida (ectocervical vs. endocervical).

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