UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2025
Mulher de 23 anos sofreu queda de moto com fratura exposta e perda de tecidos do terço médio\nda perna esquerda, com uma extensão de 7 x 5 cm e exposição óssea sem periósteo.\nDurante a observação, um dos médicos notou que a paciente estava com os sinais vitais estáveis, e o retalho apresentava-se edemaciado, com coloração violácea e saída de sangue em grande velocidade e escurecido durante a punção. A melhor conduta é:
Edema + Cianose + Sangramento escuro rápido → Congestão venosa → Reintervenção imediata.
A congestão venosa em retalhos é uma emergência cirúrgica. O acúmulo de sangue desoxigenado impede a perfusão arterial, levando à necrose se não houver descompressão ou revisão vascular imediata.
A viabilidade de retalhos cutâneos ou musculocutâneos depende do equilíbrio entre o aporte arterial e a drenagem venosa. Em traumas de membros inferiores com exposição óssea, a reconstrução é complexa. A congestão venosa ocorre frequentemente por torção do pedículo, compressão por hematoma ou edema excessivo. O diagnóstico é clínico e a punção com agulha é um teste rápido e confiável: o sangue escuro que flui rapidamente confirma a estase venosa. A conduta deve ser agressiva, com retorno ao centro cirúrgico para revisão de anastomoses ou descompressão de compartimentos, visando restaurar o fluxo e prevenir a perda total do retalho.
A isquemia arterial apresenta-se com retalho pálido, frio, tempo de enchimento capilar lentificado e ausência de sangramento à punção. Já a congestão venosa manifesta-se com retalho violáceo/cianótico, edemaciado, enchimento capilar rápido (pela estase) e sangramento escuro e vigoroso à punção.
Embora a elevação possa auxiliar no retorno venoso em casos leves, em uma congestão estabelecida com sinais de sofrimento tecidual, a pressão intersticial elevada já compromete a chegada de sangue arterial. A exploração cirúrgica é necessária para identificar obstruções mecânicas ou tromboses vasculares.
O tempo é fator determinante. Intervenções realizadas nas primeiras 6 a 12 horas após o início dos sinais de sofrimento vascular apresentam taxas de salvamento significativamente maiores, antes que ocorra dano endotelial irreversível e necrose.
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