FUBOG - Fundação Banco de Olhos de Goiás — Prova 2019
Adolescente do sexo masculino, 16 anos, é atendido primeiramente com sua mãe e depois sozinho. Nesse segundo momento da consulta ele conta que experimentou maconha em uma festa. Refere que ele e seus dois melhores amigos estavam num grupo e todos deram uma tragada num cigarro de maconha que nem sabiam de quem era. Acharam ruim, tossiram, mas disfarçaram na hora para não “ficar chato”. Decida a conduta médica.
A confidencialidade é essencial na consulta do adolescente, especialmente sobre uso de substâncias, para manter a confiança e promover a adesão.
A consulta com adolescentes exige um manejo cuidadoso da confidencialidade. Informações sobre uso de substâncias, sexualidade ou saúde mental devem ser mantidas em sigilo para o adolescente, a menos que haja risco iminente à vida. Quebrar o sigilo sem consentimento pode comprometer a relação médico-paciente e a busca futura por ajuda.
A consulta médica com adolescentes é um momento crucial para a promoção da saúde e prevenção de riscos, exigindo uma abordagem ética e empática. O Código de Ética Médica e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) garantem o direito à confidencialidade, que é um pilar para o estabelecimento da confiança entre o médico e o paciente adolescente. A autonomia progressiva do adolescente deve ser respeitada, e a consulta a sós é um instrumento essencial para que ele se sinta seguro para expressar suas preocupações e dúvidas, especialmente sobre temas sensíveis como sexualidade, saúde mental e uso de substâncias. No caso de uso de substâncias, como a maconha, a manutenção do sigilo é fundamental para não quebrar o vínculo de confiança. A revelação aos pais sem o consentimento do adolescente, exceto em situações de risco iminente à vida, pode levar à perda da confiança e ao afastamento do adolescente dos serviços de saúde, dificultando futuras intervenções. O médico deve oferecer um espaço de escuta ativa, sem julgamento, e fornecer informações claras e baseadas em evidências sobre os riscos e malefícios do uso de substâncias, além de discutir estratégias de redução de danos e possibilidades de tratamento. A conduta médica deve focar na educação e no acompanhamento. Após a conversa a sós, o médico deve reforçar os riscos e malefícios do uso de maconha e orientar o adolescente sobre como buscar ajuda, se necessário. O agendamento de um retorno em um mês permite monitorar a situação, reforçar as orientações e avaliar a necessidade de intervenções adicionais, sempre respeitando a confidencialidade. A comunicação com os pais deve ser feita de forma geral, abordando temas de saúde do adolescente sem revelar informações confidenciais específicas, a menos que o adolescente autorize ou haja um risco grave e iminente que justifique a quebra do sigilo.
O sigilo médico pode ser quebrado na consulta com adolescentes apenas em situações de risco iminente à vida do paciente ou de terceiros, como ideação suicida grave, abuso sexual ou violência. Nesses casos, a quebra do sigilo deve ser discutida com o adolescente, se possível, e feita com o objetivo de protegê-lo.
A consulta a sós com o adolescente é fundamental para estabelecer um vínculo de confiança e permitir que ele se sinta à vontade para discutir questões sensíveis, como sexualidade, uso de substâncias, saúde mental e conflitos familiares, sem a presença ou julgamento dos pais. Isso promove a autonomia e a adesão ao tratamento.
Ao abordar o uso de substâncias, o médico deve ouvir o adolescente sem julgamento, oferecer informações claras sobre os riscos e malefícios, e discutir estratégias de redução de danos ou cessação. É crucial reforçar a confidencialidade, a menos que haja risco iminente, e planejar um acompanhamento para monitorar a situação e oferecer suporte contínuo.
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