Condiloma Anal: Conduta Prática e Adequada no Consultório

SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2025

Enunciado

Um homem de 19 anos de idade, hígido, chegou ao consultório com queixa de verruga na região anal. Ao exame, observou‑se lesão condilomatosa única de 0,5 cm na margem anal, sem lesões no canal anal.Com base nessa situação hipotética e supondo‑se que o médico estará em um ambiente com recurso disponível, assinale a alternativa que apresenta a conduta adequada.

Alternativas

  1. A) solicitar hemograma, coagulograma, eletrocardiograma e, após, avaliar os exames, agendar ressecção no centro cirúrgico com laser, com raquianestesia e encaminhamento da peça para anatomia patológica
  2. B) tratamento tópico com ácido acético a 50%
  3. C) solicitar hemograma, coagulograma, eletrocardiograma e, após, avaliar os exames agendar, ressecção no centro cirúrgico com crioterapia e anestesia local
  4. D) solicitar sorologia para hepatite B, C, HIV e sífilis e acompanhar a evolução da lesão
  5. E) anestesia local, ressecção a frio com tesoura, encaminhamento da peça para anatomia patológica e solicitação de sorologia para hepatite B, C, HIV e sífilis

Pérola Clínica

Lesão condilomatosa anal única → Exérese simples com anestesia local + anatomopatológico + rastreio completo de ISTs.

Resumo-Chave

O manejo de um condiloma anal isolado em paciente hígido envolve a remoção da lesão para confirmação histopatológica (descartar neoplasia) e tratamento definitivo. A investigação de outras ISTs (HIV, sífilis, hepatites B e C) é mandatória, dado o mecanismo de transmissão sexual comum.

Contexto Educacional

O condiloma acuminado, popularmente conhecido como verruga genital ou anal, é uma manifestação clínica da infecção pelo Papilomavírus Humano (HPV), principalmente pelos subtipos 6 e 11 (baixo risco oncogênico). É uma das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) mais comuns em todo o mundo. A apresentação clínica pode variar de lesões únicas e pequenas a múltiplas lesões coalescentes na região anogenital. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na inspeção da lesão papilomatosa ou verrucosa. No entanto, o manejo adequado de uma lesão única, como a do caso, envolve mais do que apenas a identificação. A conduta padrão-ouro é a exérese cirúrgica simples ('shave excision' ou ressecção a frio com tesoura/bisturi) sob anestesia local. Este procedimento tem dupla finalidade: é terapêutico, removendo a lesão, e diagnóstico, pois a peça deve ser enviada para análise anatomopatológica para confirmar o diagnóstico e, crucialmente, excluir a presença de displasia (neoplasia intraepitelial) ou carcinoma invasivo, associados a subtipos de HPV de alto risco. Paralelamente à abordagem da lesão, é mandatório realizar o rastreio de outras ISTs. A via de transmissão comum torna a coinfecção frequente. Portanto, a solicitação de sorologias para HIV, sífilis (VDRL/FTA-Abs) e hepatites virais B e C é parte integrante do cuidado. Esta abordagem completa garante não apenas o tratamento da manifestação atual, mas também a avaliação da saúde geral do paciente e a prevenção de complicações futuras.

Perguntas Frequentes

Quais características de uma lesão anal levantam suspeita de malignidade?

Suspeita-se de malignidade em lesões que são endurecidas, fixas a planos profundos, ulceradas, sangrantes, pigmentadas ou que não respondem ao tratamento convencional para condilomas. Nesses casos, a biópsia é obrigatória.

Qual a conduta para condilomas anais múltiplos ou extensos?

Para lesões múltiplas ou extensas, o tratamento pode envolver métodos destrutivos como eletrocauterização, crioterapia ou laser, geralmente realizados em centro cirúrgico. Terapias tópicas com podofilotoxina, imiquimode ou ácido tricloroacético também são opções, dependendo do caso.

Por que é importante solicitar sorologias para HIV, sífilis e hepatites em pacientes com HPV?

A presença de uma IST, como o HPV, é um marcador de risco para outras infecções de transmissão sexual. A coinfecção com HIV, por exemplo, pode aumentar a persistência do HPV e o risco de progressão para câncer. O diagnóstico e tratamento de todas as ISTs coexistentes é fundamental para a saúde do paciente.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo