UFRN/HUOL - Hospital Universitário Onofre Lopes - Natal (RN) — Prova 2020
Paciente comparece à unidade de saúde por demanda espontânea queixando-se de dor de garganta e febre. Refere que não dormiu à noite por causa dos sintomas que não melhoraram com o uso de paracetamol. Ao abordar o caso, o médico suspeita tratar-se de uma amigdalite bacteriana aguda, prescreve antibioticoterapia e anti-inflamatório via oral e orienta repouso ao paciente. Ao sair da consulta, o paciente refere ao agente comunitário que não ficou satisfeito com a consulta e que irá procurar uma unidade de pronto atendimento em busca de outro tratamento, dado que, na verdade, gostaria de ter recebido a prescrição de alguma medicação injetável, pois acredita que a melhora dos sintomas seria mais rápida. Diante do caso exposto, o principal problema de comunicação foi que
Má comunicação → insatisfação e não adesão. Explorar expectativas do paciente é crucial para o sucesso terapêutico.
O sucesso terapêutico não depende apenas da prescrição correta, mas também da compreensão e alinhamento das expectativas do paciente. Ignorar o que o paciente espera pode levar à insatisfação e à busca por outras opiniões ou tratamentos, comprometendo a eficácia da conduta.
A comunicação eficaz entre médico e paciente é um pilar fundamental da prática clínica, influenciando diretamente a adesão ao tratamento e a satisfação do paciente. Em um cenário de atenção primária, onde a continuidade do cuidado é essencial, a capacidade de estabelecer uma relação terapêutica sólida é tão importante quanto o diagnóstico e a prescrição corretos. A falha em explorar as expectativas do paciente pode gerar frustração e desconfiança, levando-o a buscar alternativas que nem sempre são as mais adequadas ou baseadas em evidências. A abordagem centrada na pessoa preconiza que o médico não apenas trate a doença, mas também entenda o indivíduo em seu contexto, suas crenças, medos e expectativas. Isso envolve uma escuta ativa e a habilidade de negociar o plano de tratamento, alinhando as recomendações médicas com as necessidades e percepções do paciente. Ao negligenciar essa dimensão, o profissional de saúde corre o risco de prescrever um tratamento que, embora clinicamente correto, não será aceito ou seguido pelo paciente, comprometendo o desfecho clínico. Para residentes, dominar a comunicação é crucial. É preciso ir além da anamnese técnica e perguntar abertamente sobre o que o paciente espera da consulta, quais são suas preocupações e o que ele já tentou ou acredita sobre sua condição. Essa prática não só melhora a qualidade do atendimento, mas também otimiza o tempo da consulta ao evitar mal-entendidos e a necessidade de reconsultas por insatisfação.
Os pilares incluem escuta ativa, empatia, clareza na explicação, validação dos sentimentos do paciente e exploração de suas expectativas e preocupações, construindo uma relação de confiança.
Abordar as expectativas do paciente ajuda a construir confiança, melhora a adesão ao plano terapêutico e aumenta a satisfação com o atendimento, prevenindo a busca por outras opiniões ou tratamentos alternativos.
A má comunicação pode levar o paciente a não seguir a antibioticoterapia oral, buscando tratamentos injetáveis por crença de maior eficácia, comprometendo a resolução da infecção e favorecendo a resistência bacteriana.
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