Rastreamento Câncer Próstata: Comunicação e Decisão Compartilhada

PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2024

Enunciado

Seu João, 56 anos vem à consulta médica acompanhado de sua esposa, Dona Maria, 49 anos. Dona Maria é bem conhecida na unidade de saúde e insistiu muito que Seu João fosse à consulta por se tratar do mês de novembro e ela estava muito preocupada com o câncer de próstata. Seu João entra cabisbaixo no consultório e Dona Maria vai logo contando o motivo da consulta. Como Médico de Família e Comunidade qual seria a melhor maneira de lidar com esse início de consulta?

Alternativas

  1. A) Tentar fazer a Dona Maria deixar seu João falar para entender melhor as demandas dele e solicitar que ela saia do consultório para que ele se sinta mais à vontade;
  2. B) Pedir para Dona Maria sair da sala garantindo a ela que se trata de um exame desnecessário, não recomendado pelo Ministério da Saúde e por isso não precisamos perder tempo conversando sobre essa questão;
  3. C) Ouvir a demanda da Dona Maria por meio de perguntas abertas inicialmente, em seguida ouvir a demanda do Seu João, uma vez que é importante entender as demandas de ambos para tentar negociar e conciliar as agendas. Fazer perguntas fechadas, se necessário, fazer um resumo do que foi dito para para confirmação e validação e depois propor um plano terapêutico que considere as questões de ambos, além das evidências científicas que, no caso, são contrárias ao rastreamento de câncer de próstata;
  4. D) Reforçar para o Seu João que a Dona Maria está correta em se preocupar e que é muito importante que ele cuide de sua saúde e solicitar PSA para rastreamento de câncer de próstata conforme recomendação do Ministério da Saúde.

Pérola Clínica

Em MFC, ouvir paciente e família, negociar demandas e alinhar com evidências é chave para rastreamento de câncer de próstata.

Resumo-Chave

Em Medicina de Família e Comunidade, a abordagem inicial em uma consulta com acompanhante deve priorizar a escuta ativa de todas as partes envolvidas. É fundamental compreender as preocupações do paciente e da família, para então negociar um plano terapêutico que considere as evidências científicas e as necessidades individuais, como no rastreamento de câncer de próstata.

Contexto Educacional

A Medicina de Família e Comunidade (MFC) enfatiza uma abordagem centrada na pessoa e na família, reconhecendo que a saúde individual é influenciada pelo contexto social e familiar. A comunicação eficaz é uma competência essencial, especialmente em situações onde há múltiplos atores (paciente e acompanhantes) com diferentes expectativas e informações. O médico de família atua como facilitador, buscando entender todas as perspectivas para construir um plano de cuidado colaborativo. O rastreamento de câncer de próstata é um tema complexo e controverso. Embora a população geral e alguns profissionais possam ter a percepção de que o rastreamento com PSA e toque retal é universalmente benéfico, as evidências científicas e as diretrizes de saúde pública, como as do Ministério da Saúde, não apoiam o rastreamento populacional para homens assintomáticos. Isso se deve aos riscos de sobrediagnóstico, biópsias desnecessárias e sobretratamento de cânceres indolentes, que podem levar a efeitos adversos significativos sem impacto na mortalidade geral. Diante de uma demanda por rastreamento, o médico deve realizar uma decisão compartilhada, explicando os riscos e benefícios, as incertezas e as recomendações atuais. É crucial validar as preocupações do paciente e da família, oferecer informações claras e permitir que o paciente, com base em seus valores e preferências, participe ativamente da escolha sobre realizar ou não o rastreamento. Essa abordagem respeita a autonomia do paciente e promove uma prática baseada em evidências.

Perguntas Frequentes

Qual a importância da escuta ativa em consultas de Medicina de Família e Comunidade?

A escuta ativa permite ao médico compreender as preocupações, expectativas e demandas tanto do paciente quanto de seus familiares, estabelecendo uma relação de confiança e facilitando a construção de um plano de cuidado centrado na pessoa.

Como as diretrizes atuais do Ministério da Saúde abordam o rastreamento de câncer de próstata?

O Ministério da Saúde não recomenda o rastreamento populacional de câncer de próstata para homens assintomáticos, devido à falta de evidências de benefício na redução da mortalidade e aos riscos de sobrediagnóstico e sobretratamento. A decisão deve ser individualizada e compartilhada.

Por que é importante envolver a família na discussão sobre rastreamento?

A família frequentemente influencia as decisões de saúde e pode ter preocupações legítimas. Envolvê-la na discussão, explicando as evidências e os riscos/benefícios, promove a adesão ao plano de cuidado e fortalece o vínculo terapêutico.

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